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Brasil Uma ex-funcionária disse à polícia que a BRF adulterava a ração de frangos

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Em nota, a BRF rebateu as acusações de Tatiane. Segundo a empresa, os processos de produção do Premix seguem normas técnicas nacionais e internacionais. (Foto: Divulgação)

Ex-funcionária da BRF, Tatiane Cristina Alvieiro, presa na Operação Trapaça, a 3ª fase da Carne Fraca, disse à PF (Polícia Federal), nesta terça-feira (6), que a empresa adulterava a composição das rações utilizadas na alimentação de frangos. Tatiane, que atuou como técnica de garantia de qualidade da fábrica de rações da BRFS/A em Santa Catarina e no Paraná entre 2011 e 2015, afirmou que a empresa fraudava os “quantitativos” do composto, o chamado Premix, informados ao Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). E descreveu a prática como uma “estratégia da empresa”, com anuência de supervisores.

Questionada ainda sobre as trocas de e-mails interceptadas nas investigações, em que ela própria recomendava a outros funcionários a necessidade de “burlar” solicitações de auditores, e alertava para o risco de serem “pegos” em inspeções federais.

Segundo transcrição de seu depoimento ontem, Tatiane afirmou “que a fraude era de conhecimento dos supervisores da fábrica, que o controle de qualidade não controlava compras, nem fórmulas, nem o estoque da empresa”.

Tatiane descreveu um roteiro das fraudes que diz ter testemunhado desde que começou a trabalhar na empresa.

“Que no primeiro momento percebeu que o grupo BRF trabalhava de maneira a fraudar a composição do Premix foi quando o setor de qualidade das unidades da empresa passavam e-mails para o setor corporativo informando o que era declarado no rótulo do composto e o que realmente continha no estoque da empresa, sendo destoantes entre eles”, relatou a ex-funcionária.

Pela manhã, o ex-gerente industrial da BRF, Luiz Augusto Fossati, foi o primeiro a prestar depoimento logo após se entregar à PF, já que foi o único que não teve mandado de prisão temporária cumprido na segunda-feira (5). Ele alegou que estava em viagem. Fossati é acusado de fornecer um lote de aves contaminadas a granjeiros associados à BRF. Ele era o responsável pela planta de fábrica da BRF de Carambeí, no Paraná.

Em seu depoimento, Fossati negou irregularidades. Ele chegou a admitir que aves em que foram encontradas a salmonella pullorum foram aproveitadas para consumo, mas alegou que o produto seguia os termos indicados pelo Sistema de Inspeção Federal. Contudo, titubeou ao informar o destino dos alimentos. Afirmou que “acredita que o destino dessas aves tenha sido para produtos cozidos”.

Ao todo, 10 pessoas estão presas, entre elas o ex-presidente global da companhia, Pedro de Andrade Faria, e Helio Rubens Mendes dos Santos Júnior, diretor vice-presidente da BRF. Os dois foram levados para a carceragem da superintendência da PF em Curitiba (PR), onde também estão presos réus da Operação Lava-Jato como o ex-ministro Antonio Palocci. Faria e Helio Rubens começam a ser ouvidos na PF a partir desta quarta-feira (7).

BRF rebate

Em nota, a BRF rebateu as acusações de Tatiane. Segundo a empresa, os processos de produção do Premix seguem normas técnicas nacionais e internacionais.

“Pela rastreabilidade do produto, é possível identificar tudo o que foi incluído no Premix, suas concentrações, origem e destino. As fábricas da BRF que produzem o Premix são registradas e certificadas pelo Mapa e passam por fiscalização constantemente.

A BRF reitera que as informações são auditáveis por clientes, Mapa e outros órgãos fiscalizadores. E diz ainda que na última auditoria do Mapa, em outubro de 2017, todos os parâmetros estavam devidamente dentro das normas.

 

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