Quarta-feira, 20 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 30 de dezembro de 2019
De acordo com uma pesquisa recente, o perfil do brasileiro que mora fora do País é: homem, idade entre 26 e 40 anos, classe B, casado e com filhos. Os destinos preferidos são Estados Unidos e Canadá, com quase 50% dos emigrantes. O levantamento foi feito pela empresa de transferência de dinheiro TransferWise.
Também se constatou que o que mais motiva os brasileiros a deixar o Brasil é ter melhor qualidade de vida, situação econômica mais vantajosa e mais segurança. Esses três pontos foram mencionados por cinco brasileiros ouvidos pelo site UOL e que escolheram tocar a vida no exterior. Mas eles também citaram outros motivos, como se apaixonar por um estrangeiro.
Fernanda Balista, 36 anos, decidiu se mudar para Vancouver (Canadá) com o marido, Alexandre, após enfrentar anos de desemprego. Ela foi demitida, em 2014, da multinacional para a qual trabalhava havia sete anos em Vinhedo (SP). Sem conseguir emprego, decidiu usar parte das suas economias para abrir uma franquia, mas o negócio não deu certo e ela perdeu todo o investimento.
Surgiu então a ideia de tentar uma oportunidade fora do Brasil. Enquanto o casal juntava dinheiro, Fernanda até conseguiu um emprego, mas ganhando bem menos do que gostaria. “Sou formada, tenho MBA e falo inglês, e estava ganhando 60% a menos do que ganhava há quatro anos. Não estava certo”, disse.
Em agosto do ano passado, ela pediu demissão e deu entrada no processo para conseguir visto de estudo no Canadá. O casal se mudou para Vancouver em abril. Fernanda divide seu tempo entre um emprego de meio período em uma loja e um curso em uma faculdade técnica.
Ao contrário do Brasil, arrumar emprego aqui é superfácil, consegui em duas semanas. Você só não trabalha se não quiser Fernanda Balista Seu marido trabalha remotamente para uma empresa brasileira, como designer. Como o dólar canadense é valorizado em relação ao real, ele precisou arrumar um segundo emprego, como bartender no Starbucks, para complementar a renda.
“É tudo caro. Aluguel é o principal custo”, disse ela. Para não estourar o orçamento, o casal aluga um quarto em uma casa compartilhada. Fernanda diz te saudade de casa, mas planeja ficar no Canadá enquanto o visto permitir: “Aqui é bom, posso sair na rua à noite e andar sozinha que ninguém vai mexer comigo. No Brasil não é assim. Aí já fui assaltada duas vezes, tenho pânico de andar na rua. O custo aqui é muito alto, mas vale a pena”.
A insatisfação com o mercado de trabalho também foi o que motivou Vinicius Chaguri, 28 anos, a deixar o Brasil no começo de dezembro. Formado em engenharia mecânica, ele reclama da falta de oportunidades: “Há uma dificuldade absurda de arranjar emprego, mesmo com um currículo legal. Quando se consegue um, ele paga muito mal. Por isso tem tanto engenheiro virando motorista de Uber, acho isso um absurdo. O País não tem mercado e não dá valor ao profissional que ele mesmo criou nas universidades”.
Ele decidiu, então, tentar a sorte em Sydney, na Austrália. “Eu queria conhecer a vida em um país de primeiro mundo, onde a estabilidade e a segurança são incomparáveis. No Brasil, qualquer coisa pode acontecer a qualquer momento. Isso me assusta”, revela. Ainda está trabalhando, mas tem expectativa de conseguir um emprego temporário e crescer na carreira.
“Agora quero pensar em 2020, arranjar um trabalho legal, uma casinha para dividir e fazer minhas atividades aqui. Aí, no final de 2020, eu vejo se tento estender [o período na Austrália] ou se volto para o Brasil com a bagagem”, acrescenta.
Gostou, ficou
Ytalo Guilherme Tigan, 29 anos, deixou o Brasil em 2013, antes da crise econômica. Recém-formado em jornalismo, escolheu San Diego, no Estado norte-americano da Califórnia, para estudar inglês antes de encarar o mercado de trabalho. Gostou tanto que decidiu ficar nos Estados Unidos.
Ele contou com ajuda financeira da família e fez “bicos” como garçom e lavador de pratos até 2015, quando fundou uma marca própria de camisetas. “A marca surgiu a partir de desenhos que eu fazia e da ideia de não querer mais trabalhar para os outros, eu queria ter um negócio próprio. O investimento não era alto, então valia a pena. Hoje, a marca está presente na Califórnia e no Brasil”.
Ele também diz que o custo de vida é muito inferior ao de São Paulo, onde ele cresceu: “Depois de quase sete anos aqui, não sinto falta de nada do Brasil. Quando você ainda não está adaptado, existe o problema de saudade da comida, mas que pode ser facilmente resolvido aprendendo a cozinhar ou indo a algum restaurante brasileiro”.
O seu plano agora é conseguir o visto de residência permanente, o cobiçado “Green Card”, e ter filhos americanos. “Para mim, o Brasil é um lugar para passar férias, visitar os amigos e a família e tomar uma cerveja gelada no boteco ou na praia. Daqui não pretendemos nos mudar tão cedo”.
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