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Mundo A corrida presidencial de 2020 deve confirmar o aprofundamento da divisão política na sociedade dos Estados Unidos

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Donald Trump. (Foto: Reprodução)

Da mesma forma que o placar da votação sobre o inquérito de impeachment do presidente Donald Trump expôs em números a polarização política nos Estados Unidos, a corrida eleitoral também deve confirmar o aprofundamento da divisão na sociedade norte-americana. Analistas acreditam que o pleito de 2020 será apertado.

Tanto republicanos quanto democratas terão que ir além do debate sobre o impedimento do presidente para convencer o eleitorado a sair de casa. Em um país em que o voto não é obrigatório, a mobilização da base é um dos principais determinantes da corrida eleitoral.

“O que Trump conseguiu fazer com sua base é convencê-la a ir às urnas, e ele consegue fazê-la sair para votar em Estados-chave no Colégio Eleitoral, o que foi crucial para sua vitória em 2016”, avalia o diretor do Pew Research Center, Carroll Doherty.

Apesar da aparente vantagem para o atual presidente, Doherty lembra que a demografia norte-americana está mudando. Uma pesquisa do instituto em 2019 mostrou que a proporção de brancos no eleitorado diminui, enquanto a de hispânicos, negros e asiáticos aumenta: “O Partido Democrata mudou. Em alguns pontos, isso fez com que refletisse melhor a demografia do país do que o Partido Republicano”.

Os democratas também contam com o apoio dos jovens, mas esse grupo é o que menos comparece às urnas. O “fator Trump”, no entanto, pode motivá-los: nas eleições de meio de mandato em 2018, os democratas saíram vitoriosos e conseguiram maioria na Câmara dos Deputados. Mas isso não é suficiente: “Para ganhar desta vez, eles vão precisar de alguém que inspire os democratas um pouco mais do que Hillary Clinton em 2016”.

Doherty acredita que, assim como em 2016, as eleições serão amargas e divisivas. Também devem ser apertadas. O professor Allan Lichtman, da American University, concorda. Ao contrário da maioria dos analistas, ele acertou o resultado em 2016. Previu inclusive o impeachment:

“A eleição está muito apertada. Muito dependerá de como a economia estará no ano que vem, se haverá um terceiro candidato, se os democratas conseguirão vir com um candidato que inspire as pessoas e se a Presidência de Trump vai provocar convulsões sociais pelo país”.

Para fazer previsões, Allan aplica um método próprio: “13 chaves para a Casa Branca”. São afirmações que devem ser classificadas como falsas ou verdadeiras. Se seis ou mais forem falsas, o partido de situação perde. Segundo o professor, o método permitiu prever corretamente os resultados presidenciais desde 1984.

Incerteza

Allan acha que é cedo para prever 2020, já que, em tempos de Trump, tudo muda muito rápido. Mas argumenta que, por enquanto, cinco chaves jogam contra o presidente: mandato do partido (já que republicanos perderam maioria na Câmara), sucesso em política externa, provável fracasso em política externa com a retirada das tropas da Síria, carisma e escândalo.

“O impeachment, que faz de Donald Trump apenas o terceiro presidente em toda a História dos Estados Unidos a sofrer impeachment pela Câmara, gira a chave do escândalo contra o Partido Republicano.

Apesar de Trump torcer para que o processo se volte contra os democratas, o professor lembra que, na História americana, os partidos dos presidentes que passaram por impeachment perderam as eleições. Na conta, Andrew Johnson, Richard Nixon e Bill Clinton, cujo partido perdeu as eleições em 2000 “que deveria ter ganhado facilmente em tempos de paz, prosperidade e tranquilidade doméstica e exterior”.

Darrell West, pesquisador da Brookings Institution, concorda que o impeachment não joga a favor do presidente, mesmo que ele saia vitorioso no Senado. São necessários cerca de 20 republicanos para que Trump seja removido do cargo e, por enquanto, não há indícios de que nem ao menos um votará contra o presidente.

“Não acho que seja bom para ele ter passado por isso, porque abre para muitos ataques contra. E cria vulnerabilidades, especialmente entre mulheres do subúrbio. Elas têm sido um key swing [um voto-chave, mas que oscila]. E elas estão preocupadas com a ética precária na Casa Branca”.

O autor de “Política Dividida, Nação Dividida” acredita que o principal efeito do impeachment será mobilizar as bases em um país dividido, já que ambos os partidos se sentem atingidos. Democratas acreditam que Trump é corrupto e autoritário. Republicanos reclamam de um processo injusto.

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