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Brasil Uma pesquisa no Piauí desenvolve uma farinha feita com baratas, grilos e outros insetos para alimentação humana

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Produto tem textura crocante e sabor similar ao de cereais. (Foto: Reprodução)

Estudantes de universidades públicas de Parnaíba, no Litoral do Estado do Piauí, tiveram uma experiência bastante diferente. Eles experimentaram um cardápio com grilos, larvas e baratas, que fazem parte da primeira etapa do estudo desenvolvido pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).

Inicialmente, a pesquisa fez comparativos entre as farinhas de peixe e de soja, utilizadas na ração animal, e a farinha produzida através de insetos. Os primeiros resultados agradaram e os pesquisadores confirmam a possibilidade de incluir na alimentação humana.

“A gente constatou que é possível substituir as farinhas de peixe e de soja por esse outro ingrediente proteico, que seria a farinha de insetos. Testamos a farinha de grilos, tenebra e mosca-soldado negra cultivados em laboratório, e então percebemos que essas opções apresentaram um desempenho melhor ou igual ao das rações já disponíveis no mercado normalmente”, explicou a pesquisadora Janaina Kimpara, da Embrapa.

No médio ou logo prazos, o preço da nova ração poderá ser reduzido, com reflexos sobre o valor pago pelo consumidor. Já no curto prazo, os pequenos produtores podem providenciar as suas próprias produções de insetos, o que, por si só, já reduziria custos e contribuiria para o uso sustentável do ambiente natural.

Cardápio

O estudante Moisés Araújo não imaginava que, a cada 100 gramas, os insetos tinham mais proteínas que o boi, frango ou porco, por exemplo. Desde que soube da novidade, ele tenta implantar o cardápio em casa.

“Quando eu ouvia falar em produção de insetos, achava que era apenas para consumo animal”, admite. “A partir dessa descoberta, no entanto, fiquei sabendo que tinha também criação para consumo humano. Já experimentei a tenebra, uma larva comedora de trigo, e ela tem um sabor diferenciado.”

Conforme o professor Rafael Gurgel, da Universidade Federal do Ceará, para que os insetos cheguem ao estágio de alimentação humana e animal é necessário um rígido controle de produção. “Os insetos que basicamente consumimos hoje são coletados em ambientes naturais, saudáveis ou produzidos em cativeiros”, ressalta. “Geralmente, a sua composição tem sabor de amendoim, castanha, amêndoa ou pipoca, com uma textura crocante.”

Proteínas

Em sua coluna no site www.cidadeverde.com.br, o professor e pesquisador piauiense Francisco Soares do Santos Filhos detalha a importância dessa tipo de alimentação: “Na China, por exemplo, é comum o consumo de insetos e escorpiões como fontes de proteínas. Apesar de estranho, a moda de comer insetos pode pegar, inclusive no Brasil”.

Ele cita que, normalmente, a obtenção de proteínas, de onde o corpo humano extrai os aminoácidos, é feita através dos alimentos, principalmente de origem animal como a carne, o leite e o peixe. “Algumas plantas como a soja e o feijão também são ricas nestas substâncias e em alguns países do mundo as fontes de proteínas são variáveis, pois dependem do cultivo e dos costumes”, prossegue.

“O nosso organismo depende de substâncias chamadas de Aminoácidos para construção das proteínas utilizadas no corpo”, finaliza. “As proteínas são os principais compostos orgânicos presentes nas nossas células. São importantíssimos porque são componentes estruturais e atuam em diferentes reações do metabolismo, especialmente como enzimas, que aceleram a ocorrência de diferentes tipos de reações no nosso corpo”.

 

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