Quarta-feira, 24 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 24 de junho de 2020
Uma recente pesquisa do Instituto Max Planck de Ciências Cognitivas e do Cérebro Humano, da Alemanha, concluiu que quanto menos alimentos de origem animal alguém consome no dia a dia, menor é o índice de gordura corporal e, portanto, menor o seu peso. Um outro achado é curioso: uma dieta vegana está ligada a uma tendência de que a pessoa seja mais introvertida.
Em relação ao corpo mais magro, os cientistas acreditam que, além da maior ingestão de fibras por meio de consumo de plantas e vegetais, a explicação também está no fato de que dietas veganas e vegetarianas costumam ter menos produtos processados e industrializados, como alimentos embutidos e hambúrguer, por exemplo.
Além disso, veganos e vegetarianos demonstraram ter um estilo de vida mais saudável e uma preocupação maior com a saúde do que os onívoros – pessoas com uma dieta bem variada, que se alimentam tanto de alimentos vegetais quanto animais.
Cerca de 9.000 pessoas participaram da pesquisa alemã, publicada no dia 15 de junho na revista “Nutrients”. Foram desconsiderados sexo, idade e nível educacional de cada um.
Tipo de alimento de origem animal
Os cientistas observaram que parece fazer diferença para o ganho de massa corporal – e consequentemente de peso – quais produtos de origem animal uma pessoa consome.
Se for uma alimentação predominantemente com produtos animais primários, como carne vermelha, carne branca e peixe, a pessoa geralmente tem um índice de massa muscular (IMC) maior do que alguém que come apenas produtos animais secundários, como ovos, leite, laticínios, queijo e manteiga.
A pesquisa não conseguiu entender com clareza porque pessoas que se alimentam principalmente com produtos animais primários tem maior IMC. Por isso, uma nova pesquisa será feita em cooperação com o Hospital Universitário de Leipzig, na Alemanha.
Dieta restritiva e personalidade
Os pesquisadores também descobriram que a nutrição vegetariana e vegana também está relacionada à personalidade, principalmente à extroversão, “no entanto, pouco se sabe sobre esse tipo de dieta e a sua relação com a saúde emocional”, informa o texto da publicação.
“É difícil dizer qual é o motivo disso”, afirmou uma das autoras do estudo, Veronica Witte, na divulgação dos resultados.
“[A explicação] Pode ser porque pessoas mais introvertidas tendem a ter hábitos alimentares mais restritivos ou porque são mais segregadas socialmente por causa de seus hábitos alimentares restritos”, completa Witte.
A autora afirma que estudos futuros do instituto devem investigar a questão de como as pessoas se identificam com as características sociais de sua dieta: são mais restritivas, mais radicais, mais abertas a experimentar novas comidas etc.
“Traços de personalidade, como o alto nível de neuroticismo, podem contribuir para hábitos alimentares restritivos e potencialmente confundir associações entre dieta e saúde”, diz o estudo. O neuroticismo é um dos principais traços de personalidade, segundo a psicologia, e está relacionado à falta de confiança, pensamento negativo e autocrítica severa.
Os cientistas também investigaram se uma dieta predominantemente baseada em plantas, como a vegana, está associada ao humor depressivo, uma vez que estudos anteriores sugeriram uma relação entre os dois fatores. Contudo, o estudo alemão não encontrou relação entre depressão e restrição de alimentos de origem animal.
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