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Política Veja a cronologia dos principais fatos na crise entre os ministros do Supremo

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O clima no STF começou a esquentar no último dia 1º, após o ministro André Mendonça, relator da investigação do caso Master, retirar o sigilo de um relatório produzido pela PF. (Foto: Antonio Augusto/STF)

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, marcou para esta terça-feira (15) uma sessão plenária para analisar o relatório que aponta Alexandre de Moraes como interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o pedido de nulidade do documento feito pela PGR (Procuradoria-Geral da República).

O magistrado tomou a decisão pressionado, nos últimos dez dias, pelo aumento das tensões envolvendo decisões conflitantes dos ministros, pela disputa entre os integrantes da corte e por uma operação policial. Leia, abaixo, a cronologia da crise:

Mensagens

O clima no STF começou a esquentar no último dia 1º, após o ministro André Mendonça, relator da investigação do caso Master, retirar o sigilo de um relatório produzido pela PF. O documento revelou que Vorcaro mantinha contato com uma pessoa apontada como sendo o ministro Alexandre de Moraes.

Nas mensagens que foram recuperadas, o ex-banqueiro perguntou a Moraes, dois dias antes de ser preso, em 2025, se deveria deixar o país. Os diálogos também mostram que o ministro fez edições num contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, e que ele e Vorcaro se encontraram pelo menos seis vezes desde 2024.

Encontro

No dia 2 de setembro, o ICL Notícias revelou que Mendonça recebeu Vorcaro para uma conversa em março de 2025 em seu gabinete. Segundo mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro, o encontro foi articulado pelo advogado Ciro Rocha Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP).

“Fala, Vorcarinho, trabalhando por você! Levei o André lá no Vasco agora, pra fazer um terno”, disse Ciro em áudio enviado em 8 de fevereiro de 2025.

Investigação

Em resposta à ação de Mendonça, Moraes pediu no último dia 3 ao ministro Edson Fachin a abertura de uma investigação de Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução dos casos Master e do INSS.

O pedido de investigação foi protocolado no inquérito das fake news, do qual Moraes era relator, e usou como base relatórios da PF que levantavam suspeitas sobre a atuação de Mendonça em operações. Segundo Moraes, o ministro teria agido por “motivos pessoais e políticos”.

Fake news

No dia seguinte, Fachin retirou o pedido de Moraes contra Mendonça do inquérito das fake news e o incorporou ao mesmo processo que já tratava do relatório sobre as mensagens.

Abriu também prazo de cinco dias úteis para a PGR se manifestar sobre a admissibilidade do pedido e outros cinco para Mendonça se defender, caso quisesse. Segundo o despacho, as medidas não antecipam juízo sobre o mérito.

Como resposta à crise, o presidente do STF defendeu durante discurso em um evento a aprovação de um código de ética para os ministros e o fim do inquérito das fake news, aberto há sete anos.

Comando da PF

Na terça-feira (8), Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada.

Na decisão enviada à Segunda Turma do STF, a justificativa foi a produção de um relatório interno da Polícia Federal usado por Moraes para pedir uma investigação contra o próprio Mendonça. O ministro Gilmar Mendes pediu vista (mais tempo para estudar a matéria), mas Luiz Fux e Kassio Nunes Marques anteciparam seus votos e formaram maioria pelo afastamento de Andrei.

Suspensão

O ministro Flávio Dino reintegrou na quarta (9) Andrei Rodrigues ao comando da PF e Leandro Almada à Inteligência do órgão. O ministro também suspendeu a decisão de Mendonça, atendendo a um pedido de Andrei na investigação sobre as suspeitas de irregularidades em emendas relacionadas à produção do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro (PL).

“Dark Horse”

Uma operação autorizada por Flávio Dino foi deflagrada na quinta-feira (10) contra suspeitos de participar de um esquema de desvio de recursos de emendas parlamentares para o filme “Dark Horse”, sobre a vida de Jair Bolsonaro. A autorização do ministro tinha sido assinada no último dia 3.

A Polícia Federal cumpriu 49 mandados de busca e apreensão .

Mais quebra

Na tarde de sexta-feira (11), Fachin pediu a Mendonça que retire, em 24 horas, o sigilo de todos os documentos que integram as investigações sobre o caso do Master.

Horas depois, Mendonça retirou o sigilo das investigações sobre o filme “Dark Horse”, que trata da vida de Jair Bolsonaro, e de outros processos do caso Master. O conjunto de apurações envolve políticos como Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL) e os senadores Jaques Wagner (PT-BA) e Ciro Nogueira (PP-PI) .

No total, Mendonça tornou públicos mais 38 documentos que tratam da apuração sobre fraudes atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e desdobramentos do caso. Com informações da Folha de S. Paulo

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