Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 4 de março de 2020
Quase tudo que o que sabemos hoje sobre o avanço do surto do novo coronavírus está desatualizado e incompleto.
A Organização Mundial da Saúde fala em 93.094 infectados e 3.198 mortos em 77 países e territórios, segundo os dados desta quarta-feira (4). Mas esses números não contam toda a história.
Para Neil Ferguson, especialista do Centro para Análise de Doenças Infecciosas do Imperial College, de Londres, o descompasso entre a confirmação de casos, o surgimento de sintomas e a piora da doença até uma eventual morte indica que o surto hoje pode ser dez vezes maior.
A BBC News Brasil reuniu as mais importantes dúvidas sem resposta acerca do surto, e os esforços que especialistas e autoridades têm feito com dados e inferências para tentar respondê-las com o maior grau de certeza possível.
1) Afinal, qual é a taxa de mortalidade do novo coronavírus?
Estima-se hoje que essa taxa gire em torno de 2%, mas esse número tem variado bastante desde o início do surto na cidade chinesa de Wuhan, em dezembro.
Em tese, o cálculo do que tem se chamado popularmente de taxa de mortalidade do novo coronavírus é sido relativamente simples. Identifica-se quantas pessoas ficam infectadas, quantas morrem e aplica-se uma regra de três.
Mas os cálculos feitos para calcular quão letal é uma doença podem envolver outras peças, como o período de um ano, um espaço geográfico determinado e a taxa de mortes por mil habitantes, algo que não tem sido feito atualmente.
2) É possível pegar o vírus duas vezes?
Em geral, uma vez infectada, a pessoa ganha imunidade contra a doença. Isso acontece porque o corpo reage aos ataques de vírus e bactérias, por exemplo, e aprende a combater esses micróbios.
O sistema imunológico guarda uma memória dos invasores contra quem já lutou antes. Parte dessa memória é mantida nas células B, que são um tipo de célula imune especializada na produção de apenas um tipo de anticorpo.
3) O novo coronavírus passa para o útero ou pela amamentação?
Em geral, mulheres grávidas são mais suscetíveis a infecções respiratórias, como no caso da H1N1, mas especialistas e autoridades afirmam não haver motivo para acreditar que elas ou os bebês sejam mais vulneráveis aos efeitos do novo coronavírus do que qualquer outra pessoa.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, de 147 mulheres analisadas, 8% desenvolveram um caso agudo da doença e 1%, crítico.
Também não há qualquer indício de que o vírus possa ser contraído pela amamentação ou no útero, afirma o epidemiologista Wei Zhang da Universidade Northwestern, nos EUA, coautor de um estudo sobre o novo coronavírus publicado na revista especializada The Lancet.
Mas essa hipótese ganhou força no início de fevereiro, quando médicos de Wuhan anunciaram que uma mulher infectada com o novo coronavírus deu à luz um bebê que também foi diagnosticado com a doença horas depois.
4) Que animal está ligado à origem do surto atual de coronavírus?
A hipótese mais provável, segundo a OMS, é que a epidemia tenha começado em um mercado da cidade chinesa de Wuhan e sido transmitida de um animal vivo para um hospedeiro humano, antes de se espalhar de humano para humano.
Nesse mercado eram vendidos tanto animais vivos quanto já abatidos. Mas não se sabe ainda qual animal está ligado ao novo coronavírus.
5) Cachorros e gatos podem se infectar e transmitir a doença para humanos e outros animais?
Não há qualquer evidência científica de que cães e gatos possam transmitir o novo coronavírus para humanos ou outros animais, afirmou a secretária de Saúde de Hong Kong, Sophia Chan.
O comunicado ocorreu depois da notícia de que o cachorro de uma pessoa infectada com o vírus foi examinado e recebeu um diagnóstico “positivo”, mas “fraco”.
O cachorro, da raça lulu da Pomerânia, está em quarentena sob observação e passará por novos exames. O animal não apresentou sintomas.
7) Como isso tudo acaba?
Diante do quadro de queda do número de novos casos da doença na China, as autoridades já estimam que as transmissões estarão totalmente sob controle até abril. Por outro lado, temem que um eventual “efeito bumerangue”, já que outros países agora enfrentando o avanço do coronavírus.
Mas como tudo isso vai acabar? Em tese, são três grandes possibilidades: medidas adotadas por autoridades de saúde impedem que haja contato entre pacientes infectados e pessoas saudáveis, evitando novos contágios; processo de imunização do hospedeiro, ou seja, quanto maior a circulação do vírus, mais pessoas adquirem anticorpos contra ele e ficam imunes, fazendo com que o vírus perca força, ou sejam vacinadas; e a hipótese mais extrema em casos de novas epidemias: toda a população mundial é dizimada, o que seria um fracasso para o vírus, porque ele morreria junto.
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