Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 16 de junho de 2020
As vendas no varejo nos Estados Unidos registraram alta recorde em maio, já que 2,5 milhões de americanos voltaram ao trabalho e as pessoas passaram a deixar o isolamento, embora o resultado recupere apenas uma fração da histórica queda em março e abril devido à pandemia do novo coronavírus.
O Departamento do Comércio informou nesta terça-feira (16) que as vendas no varejo subiram 17,7% no mês passado, após queda recorde de 14,7% em abril – o maior declínio desde que o governo americano iniciou a série histórica em 1992. O colapso das vendas no varejo influenciou na perda histórica de 20,5 milhões de empregos no mês passado, realçando a profunda crise econômica que, segundo analistas, pode levar anos para se recuperar.
O resultado superou o recorde anterior de aumento de 6,7% em outubro de 2001, quando os americanos retomaram as compras após os ataques de 11 de setembro de 2001 aos Estados Unidos.
Ainda assim, o salto recorde nas vendas no varejo recuperou apenas uma fração das quedas de março e abril, deixando os gastos do consumidor e a economia em vias de sua maior contração no segundo trimestre desde a Grande Depressão. A economia entrou em recessão em fevereiro.
“As vendas da economia e do varejo chegaram ao fundo do poço em maio, e temos um primeiro estágio de recuperação em forma de V”, disse Sung Won Sohn, professor de economia empresarial da Universidade Loyola Marymount, em Los Angeles. “No entanto, levará algum tempo para chegar perto dos níveis de vendas no varejo e da atividade econômica que tivemos na virada do ano.”
A recuperação foi ajudada por fortes vendas de automóveis, uma vez que a flexibilização da quarentena em todo o país permitiu que as concessionárias reabrissem. A taxa de vendas de maio subiu acima de 12 milhões de veículos por ano, depois de cair abaixo de 9 milhões em abril, segundo a Wards Intelligence.
A expectativa era de salto de 8% das vendas no varejo no mês passado, de acordo com pesquisa da Reuters.
Enquanto isso, no Brasil, as vendas no comércio varejista caíram 16,8% em abril, na comparação com o mês anterior, refletindo os efeitos do isolamento social para controle da pandemia de Covid-19. É o pior resultado desde o início da série histórica, em janeiro de 2000.
Produção industrial
A produção industrial dos Estados Unidos também se recuperou em maio, mas apenas uma fração em relação ao declínio recorde do mês anterior, sugerindo alguma estabilização no setor após a pandemia de Covid-19 ter interrompido as cadeias de suprimentos e prejudicado a demanda.
O Federal Reserve, o banco central americano, informou nesta terça que a produção manufatureira do país aumentou 3,8% no mês passado. Os dados de abril foram revisados para mostrar que a produção nas fábricas recuou 15,5%, a maior queda na série histórica, em vez de cair 13,7%, conforme relatado anteriormente.
Economistas consultados pela Reuters previam uma recuperação de 4,6% na produção industrial dos EUA em maio.
Recuperação improvável
Uma recuperação econômica total dos Estados Unidos não ocorrerá até que a população americana tenha certeza de que a epidemia de coronavírus foi controlada, disse o chair do Federal Reserve, Jerome Powell, no primeiro de dois dias de audiências perante parlamentares dos EUA.
“Até que o público tenha certeza de que a doença está contida, uma recuperação completa é improvável”, disse Powell em depoimento preparado para o Comitê Bancário do Senado americano, em que mapeou como os Estados Unidos estão enfrentando uma recuperação econômica incerta, desigual e prolongada em relação à crise do novo coronavírus.
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