Quinta-feira, 13 de Agosto de 2020

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Brasil Vice de Bolsonaro, o ex-general Humberto Mourão conta com o apoio de seus parceiros da maçonaria nesta eleição

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Militar da reserva é filiado a uma loja maçônica gaúcha desde 1998. (Foto: Reprodução)

Integrante da maçonaria há duas décadas, o ex-general Hamilton Mourão, 65 anos, incluiu em sua campanha visitas a templos desta fraternidade de homens que, com pretensões filantrópicas e filosóficas somadas a um histórico de acertos políticos, existe sob ares de “sociedade secreta”. Ele se apresenta-se como “fiador” do capitão reformado e deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ), de quem é vice na corrida presidencial.

Segundo fontes próximas, no dia 10 de setembro Mourão tem se mostrado à vontade entre os “irmãos”, como os membros se chamam entre si. Em um palácio no Rio de Janeiro, ele foi aplaudido e recebido pela maior autoridade maçônica no Brasil, Ricardo Maciel Monteiro de Carvalho, o Grão-Mestre Geral – cargo que lhe promove de “Sereníssimo” para “Soberano”.

Ele chegou ao local embalado pelo Hino do Exército (“A paz queremos com fervor / A guerra só nos causa dor / Porém, se a Pátria amada / For um dia ultrajada / Lutaremos sem temor”). Em seguida, discorreu sobre o tema “Desafios de uma Nação”.

Há cerca de um ano, um outro discurso para maçons, em Brasília, rendeu o maior solavanco de sua trajetória, pontilhada por polêmicas: ele disse que os seus “companheiros do Alto Comando do Exército poderiam abraçar uma intervenção militar se o Judiciário não solucionasse o problema político”, referindo-se à corrupção”.

Até onde se sabe, Mourão é o único maçom numa chapa presidencial neste pleito. E isso, o próprio general sabe bem, pode conspirar a seu favor. “Jair Bolsonaro tem uma campanha que defende Deus, pátria e família, e isso está muito ligado aos ideais maçônicos”, ressaltou em recente entrevista a um jornal paulista.

No grupo de WhatsApp “Maçonaria Operativa”, todo dia apita uma nova mensagem a favor do candidato do PSL. Um membro se dizia “de saco cheio de análises destes ditos ‘liberais’ que dizem ter medo do Bolsonaro porque ele é radical”.

E por que seria? “Por que assume que é cristão e coloca Deus acima de todos? Muito melhor do que “uma Marina eterna petista, que só aparece como um fantasma de quatro em quatro anos, ou um Alckmin falso opositor do PT. E nem me venha com aquele Ciro, um coronel desequilibrado”, teorizou o “irmão”.

Ele também não poupou o então presidenciável Alvaro Dias (Podemos-PR), que definiu como um “esquerdista light”. Sobrou também para “o tal de João Amôedo, que só usa palavras esquerdistas como ’empoderamento'”.

Perfil

Os encontros se restringem a um grupo de homens, em sua maioria brancos e de faixa etária mais elevada. Mas o alcance da maçonaria vai além. “Trata-se de um corte vertical na sociedade que atinge todos os estratos sociais”, garante Mourão, iniciado em 1998 e filiado à loja gaúcha República do França.

Em dezembro, a ala gaúcha da maior corrente do País, o Grande Oriente, divulgou uma nota em desagravo a ele, afastado da Secretaria de Economia do Exército após dizer que “nosso atual presidente vai aos trancos e barrancos”.

“É lamentável que, em pleno 2017, a liberdade de expressão, especialmente de um militar, seja atacada”, dizia a nota assinada pelo grão-mestre Tadeu Pedro Drago. “Somos 10 mil irmãos engajados na defesa do general Mourão.”

Um engajamento que não é de se jogar fora, afirma Daniel Bortholossi, professor de influências do gnosticismo na maçonaria num curso de pós-gradução de maçonologia. “Como a maçonaria é seletiva e entre seus membros estão muitos formadores de opinião, o envolvimento com causas políticas é inevitável”.

Apesar de muitos maçons preferirem o adjetivo “discreto”, e não “secreto”, ainda há zelo ao apontar quem é quem e quais são os ritos para entrar no clube. Dentre maçons ilustres estão presidentes americanos (pelo menos 15 deles, como George Washington), pensadores (Voltaire), músicos (Beethoven), imperadores (dom Pedro 1º) e militares (Duque de Caxias). Em São Paulo, o governador Márcio França e o prefeito Bruno Covas são da Grande Oriente.

Falar em uma unidade por candidato “A” ou “B” é difícil, mas o antipetismo é uma espécie de “brado retumbante” nas reuniões entre maçons. Em tom de brincadeira, o general Mendes, chefe de gabinete de um Seneríssimo, disse estar “horrorizado” em ver a mulher de um “irmão” vestindo um terno vermelho, mesmo que a moça dissesse nada ter a a ver com o PT ou outros partidos de esquerda.

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