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Economia Vorcaro mostrava ao mercado cartas de intenções de investidores árabes querendo comprar o Banco Master

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Daniel Vorcaro e sócios da Fictor diziam a advogados e parceiros de negócios que a consumação da venda transformaria o Master em “Banco Fictor”. (Foto: Reprodução)

Antes mais conhecida por patrocinar o time do Palmeiras, a Fictor ganhou os holofotes quando, no dia 17 de novembro, anunciou que compraria o Banco Master. A empresa começou pequena, no interior de São Paulo, prestando serviços de tecnologia. Seu sócio, Rafael Gois, a transformou, então, em uma companhia de investimentos. Vendia a investidores aportes em supostos negócios de compra e venda de grãos de milho e soja. Depois, abriu diversas outras frentes. Comprou frigoríficos em apuros financeiros e até campos de energia solar. Passou a ter sede em um prédio em Cidade Monções, bairro nobre na Zona Sul de São Paulo. Nos últimos anos, a empresa tem sido constantemente cobrada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por não seguir as regras do mercado financeiro e não submeter esses investimentos que oferecia ao crivo do órgão.

Pelos documentos obtidos pelo Estadão, a holding prometia R$ 3 bilhões por metade do capital do Master. As gestoras de fundos árabes Royal Capital e Patronus Wealth e a suíça Monte Rosa entrariam com outros R$ 3 bilhões. Daniel Vorcaro e sócios da Fictor diziam a advogados e parceiros de negócios que a consumação da venda transformaria o Master em “Banco Fictor”. O acordo seria selado com festa em Dubai. Todo o 1,2 milhão de lâmpadas da fachada do maior edifício do mundo, o Burj Khalifa, de 160 andares e 860 metros de altura, ficaria verde – a cor da Fictor.

Segundo o contrato e a proposta enviada ao BC, caberia a Vorcaro captar investidores estrangeiros. O banqueiro também precisava garantir que o banco tinha R$ 8 bilhões em ativos que parassem em pé. Do lado da Fictor, os sócios sabiam que o banco poderia ter problemas. “Que o Daniel poderia ser preso em algum momento, eu não tinha dúvida, tá? Eu tinha essa sensação há mais de um ano. Mas que o banco ia ser liquidado, para mim, foi uma surpresa. Não precisava liquidar”, disse Rafael Gois, CEO e fundador do Grupo Fictor, ao Estadão.

Cláusulas nos contratos protegiam Gois e seus sócios no caso de as garantias serem duvidosas. Se os precatórios, carteiras de crédito e imóveis do banco não existissem ou tivessem valores inflados ou origem fraudulenta, o valor deles seria abatido dos R$ 3 bilhões que a Fictor deveria pagar por sua fatia no banco. A ideia era de que, reduzidas as garantias a pó, ao fim viraria uma compra de um banco por R$ 1.

Vorcaro bateu em muitas portas nos Emirados Árabes. E tentou usar toda a influência de seu time para atrair investidores. Um desses personagens foi o ex-presidente Michel Temer (MDB), a quem pediu ajuda para apresentar possíveis interessados. O emedebista já havia sido contratado pelo banqueiro, antes da busca por árabes e russos, para outros fins. A principal missão era acalmar os donos de bancões brasileiros sobre a situação do Master. A preocupação deles era com o rombo que o banco causaria ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

O advogado Bruno Burilli, que atuou pela Fictor, é amigo de longa data de Vorcaro. Um dos representantes de investidores árabes e russos em contato com Burilli era Christopher Langner, que começou a vida como jornalista na área de Economia. Escreveu para a Folha de S. Paulo, Forbes e, no exterior, chegou a ser repórter do The Wall Street Journal. Mudou de área, se especializou em Economia e chegou a ser chefe de investimentos do First Abu Dhabi Bank.

Criou contatos nos Emirados Árabes, passou a representar o Lide no país e a intermediar a relação de investidores em Abu Dhabi. Ele atua em parceria com Antonio Marques de Oliveira Neto, que foi dirigente do Master até 2020, deixou o banco e, na negociação, estava do outro lado do balcão, atuando pela Fictor. Mais tarde, foi anunciado como escolhido para ser CEO do novo Banco Fictor que seria resultado da aquisição do Master. Marques não estava na viagem a Dubai, mas iria, mais tarde, a Abu Dhabi, para falar com investidores após a prisão de Vorcaro.

Também foi confeccionado e enviado ao Banco Central documento em que a RPR Capital propunha a compra do Master. Vorcaro e seus advogados tinham em mãos muitas cartas de intenções de compra dos árabes. Prometia-se investir até US$ 800 milhões no banco. Essas cartas, no entanto, não significavam que o negócio estava fechado. Na proposta de 45 páginas, nenhum dos três fundos com os quais o banqueiro e a Fictor dizem até hoje contar como seus investidores estrangeiros foi mencionado. Desde o início, a suspeita da PF era de que a proposta da Fictor pelo Master funcionaria como cortina de fumaça para Vorcaro ganhar tempo com o BC.

Horas depois de assinar o contrato com a Fictor, Vorcaro foi preso pela PF no aeroporto de Guarulhos. O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central no dia seguinte, 18 de novembro. A defesa do banqueiro, mais tarde, mostrou à Justiça que ele tinha passagem paga para Dubai e reserva no Four Seasons para continuar a negociação com investidores estrangeiros.

A Fictor insistiu na aquisição do banco mesmo depois disso. Burilli e Marques foram novamente a Abu Dhabi. Nos dias 20 e 21, eles se encontraram novamente com emissários da Royal Capital. Dessa vez, negociaram com Lucas Bittencourt, que é britânico, mas tem família brasileira. Ele é fundador da Arbra, empresa do mercado financeiro de Londres que abriga, também, Zeca de Oliveira, ex-presidente do BNY Mellon, que foi alvo de operações da Polícia Federal por fraudes no fundo de pensão Postalis, dos funcionários dos Correios.

Absolvido em uma ação penal e réu em outras até hoje, Oliveira chegou a ser consultor da Fictor antes da venda do Master. Ele afirmou ao Estadão que nunca tratou do tema da aquisição do banco e descobriu o negócio pelos jornais. A Arbra afirmou que não comenta “informações não verificadas, especulações de mercado, negociações com terceiros ou quaisquer assuntos exploratórios”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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