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Economia Destaque da semana: Banco Central reduz juros e não dá pistas sobre o futuro

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O Banco Central do Brasil (BC) manteve ritmo comedido de redução da Selic, de 0,25 ponto percentual. (Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil)

O Federal Reserve (o banco central americano) manteve as taxas de juros entre 3,5% e 3,75%, ganhando tempo para decidir qual de seus dois mandatos, inflação e mercado de trabalho, corre o maior risco com o choque do petróleo. Em dissidência inédita, três membros do comitê que define as taxas se manifestaram por retirar expressão que indicasse tendência a novas reduções. Um outro votou pelo corte de 0,25 ponto, formando um grupo dissidente como não se via desde 1992. Já o Banco Central do Brasil (BC) manteve ritmo comedido de redução, de 0,25 ponto percentual, levando a Selic a 14,5% e deixando em aberto seus próximos passos, diante das enormes incertezas do cenário externo.

Na última reunião presidida por Jerome Powell, que em maio encerra oito anos no comando do Fed, o cenário de inflação se mostrou mais adverso. Já o mercado de trabalho, que levou Powell a iniciar os cortes de juros antevendo aumento do desemprego e enfraquecimento da economia, surpreendeu em março. Foram criados 178 mil postos de trabalho no mês passado, o maior número desde janeiro de 2025. O resultado deixou claro que o emprego ainda não é o flanco mais vulnerável da economia, mas a inflação. O diagnóstico do Fed continua válido: a situação do mercado de trabalho é equilibrada, com a baixa taxa de criação de vagas evoluindo em linha com a redução da expansão da força de trabalho.

O balanço de riscos ainda não se moveu em direção definitiva: o Fed vê ameaças baixistas para o emprego e crescimento da economia e altistas para a inflação. Mas, além de Stephen Miran, um indicado por Trump para o Fed, ter votado por uma redução de 0,25 ponto, três presidentes regionais do banco se opuseram a uma frase do comunicado que dá ideia de um novo afrouxamento da política monetária, apesar de concordarem pela manutenção da taxa de juros. A frase lista as condições para que o banco considere a “extensão e o timing de ajustes adicionais” da taxa, mas os dissidentes objetaram que ajustes adicionais sugerem novos cortes, pois vêm após sequência de reduções.

Powell, com a maioria dos 11 votantes do comitê, considerou precipitada a mudança, que corresponderia a uma alteração na orientação futura do Fed. A adoção de uma linguagem neutra pode indicar um passo em direção a outra mudança, indicando alta de juros, o que foi considerado impróprio pela maioria nesse exato momento. Diante das incertezas, venceu a posição de esperar mais e ver como o choque de petróleo se reflete nos indicadores. “Nos próximos 30 ou 50 dias, ou até na próxima reunião, podem acontecer coisas que mudem a linguagem”, disse o presidente do Fed, indicando que a troca de orientação futura não deve ser fruto de decisões apressadas, ainda mais em ambiente tão turbulento.

O nível de preços nos EUA está sendo pressionado por forte altas dos combustíveis, que tendem a se disseminar por muitos setores. O impulso inflacionário, no entanto, já vinha sendo alimentado por fatores que só agora começarão a sair de cena, como os efeitos do choque tarifário de Trump em abril de 2025.

A alta das tarifas perdeu fôlego depois que a Justiça americana considerou que os aumentos não poderiam ter sido feitos pela legislação emergencial, e o presidente dos EUA determinou então tarifas provisórias gerais de 15% em fevereiro, baseado em uma lei de comércio de 1974, com validade por 150 dias. O revés legal e os acordos feitos ao longo do tempo por Trump diminuíram a carga tarifária de 18% para perto de 8% hoje, ainda assim a maior do país desde os anos 1960.

Além disso, os elevados investimentos relacionados à Inteligência Artificial trouxeram aumento de preços que apareceram nos índices gerais. A escassez de chips de memória empurrou os custos para cima em um setor que foi responsável por 40% do aumento do comércio global em 2025 e por investimentos que sustentam, com poucos outros, o crescimento, estimado em 2,3% no ano corrente.

Aumento da inflação e choque do petróleo amortecerão o consumo, que segue em boa forma, compensados em parte pelo corte de impostos decretado por Trump desde o início do ano. Powell disse que a economia “é bastante resistente” e que por serem grandes exportadores líquidos de petróleo os efeitos do choque não seriam tão fortes quanto na Ásia ou na Europa. O resultado final é muito difícil de prever, afirmou, até porque os eventos que levaram ao choque ainda estão se desenrolando e os preços da energia ainda não chegaram ao pico.

O BC do Brasil reduziu em mais 0,25 ponto percentual a taxa Selic, dando continuidade à sua política de “calibração” com “caráter restritivo”. As previsões pioraram, mesmo no longo prazo. A inflação no cenário de referência variou de 3,3% no terceiro trimestre de 2027, que era a baliza anterior, para 3,5%, no último trimestre daquele ano. No curto prazo, em decorrência do choque do petróleo, “a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se adicionalmente da meta”. Mas as previsões se tornaram bastante inconfiáveis diante da enorme incerteza geopolítica. Ao reduzir os juros nesse cenário, o BC reconhece que a Selic ainda é restritiva o suficiente para enfrentar os efeitos do choque externo, caso ele se revele temporário. (Opinião/Jornal Valor Econômico)

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