Domingo, 03 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 3 de maio de 2026
O brasileiro ficou para trás nos últimos 45 anos. Preso na chamada armadilha da renda média, o País viu o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) per capita global superar, de forma consistente, seu ritmo. Pior: o desempenho econômico recente tem sido insuficiente para reduzir essa diferença.
Entre 1980 e 2025, o PIB per capita global subiu de US$ 3.380,47 para US$ 26.188,94, um aumento de 675%, segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI). No mesmo período, o Brasil saiu de US$ 4.427,94 para US$ 23.380,98, alta de 428%.
Os números estão calculados em Paridade do Poder de Compra (PPP, na sigla em inglês), o que torna mais justa a comparação entre países e grupos econômicos. Na prática, o indicador mostra que o poder de compra do brasileiro cresceu menos do que o da média mundial nas últimas décadas.
O PIB per capita mostra a média da riqueza disponível por habitantes de um país. No Brasil, o ritmo mais lento em relação a outras nações é reflexo da baixa produtividade, investimentos insuficientes e ambiente de negócios ainda complexo. Junta-se a isso avanços aquém do necessário na área de educação e inovação.
Recessão
O PIB per capita do mundo é superior ao do Brasil desde 2015, quando o País começou a enfrentar uma dura recessão econômica, que se arrastou até 2016. Naquele biênio, a economia brasileira recuou mais de 3% por ano.
“Esse cenário tem a ver com os nossos solavancos, com essa instabilidade econômica que se traduz em períodos de crescimento mais rápido e, depois, períodos de desaceleração e até de recessão”, afirma Alessandra Ribeiro, diretora de macroeconomia e análise setorial da Tendências Consultoria. “Não há uma sustentação do crescimento de maneira contínua.”
De 1980 a 2025, o PIB per capita brasileiro também cresceu menos do que o das economias avançadas – que subiu de US$ 10.327,44 para US$ 74.516,33, um crescimento de 621% – e do que o das economias emergentes, que passou de US$ 1.499,81 para US$ 18.413,23, aumento de 1.128%.
Outro estudo elaborado pelo economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, com outra base de dados, da Penn World Table (PWT), também ajuda a evidenciar o atraso brasileiro em relação ao mundo. Ele identificou uma “quebra” no ritmo de crescimento do Brasil a partir de 1981. “Não conseguimos resgatar aquele ímpeto de crescimento que tínhamos até os anos 1970”, afirma.
O estudo do economista lança luz sobre o crescimento brasileiro em comparação com economias que tinham desempenho similar até os anos 1980 – e as que apresentavam características mais próximas eram Coreia do Sul, Romênia e Botsuana.
Com base em dados do Penn World Table (PWT), estudo elaborado pelo economistachefe da MB Associados, Sergio Vale, concluiu que, em 2023, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita do Brasil – de US$ 18.492 – foi 42% menor do que seria caso o País tivesse acompanhado o ritmo de crescimento de nações como Coreia do Sul, Romênia e Botsuana. Até os anos 1980, essas três nações tinham economias com desempenho similar à do Brasil.
Segundo os números do PWT – base de dados desenvolvida e mantida por acadêmicos da Universidade da Califórnia em Davis e do Groningen Growth Development Center da Universidade de Groningen –, consolidados pelo economista, a renda média do brasileiro seria US$ 13,4 mil maior e teria alcançado US$ 31,9 mil.
“Não seria uma renda alta – que é de US$ 50 mil, US$ 60 mil para cima –, mas seria uma renda que colocaria o País no limite entre sair da armadilha da renda média e ter uma condição de poder ser considerado um país de renda mais elevada”, afirma o economista-chefe da MB Associados.
Década perdida
A década de 1980 é conhecida como a década perdida para o Brasil. O País lidou com problemas no setor externo – incluindo o calote da dívida – e com um quadro de hiperinflação, que foi debelado apenas com o Plano Real, em 1994.
O que chama a atenção é que a diferença entre o PIB per capita atual e o que seria observado sem a ruptura tem crescido ao longo dos anos. Em 1981, quando houve a quebra no ritmo de crescimento do Brasil, essa diferença em relação aos três países similares identificados pelo estudo era de 7,3%. Em pouco tempo, em 1985, subiu para 19,2%.
“Dos anos 1980 até o Plano Real, foram quase 15 anos de crise profunda. De partida, já perdemos todos esses anos”, diz Vale. “Do Plano Real para frente, foi correr atrás do prejuízo. Nós fizemos várias reformas, mas não avançamos em diversas outras.” (Com informações de O Estado de S. Paulo)
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