Segunda-feira, 20 de abril de 2026
Por Redação O Sul | 13 de abril de 2026
A ex-modelo brasileira Amanda Ungaro, de 41 anos, que era casada com Paolo Zampolli, aliado do presidente americano, Donald Trump, fez uma série de publicações no X nas quais ameaçou “derrubar todo o sistema” e expor “tudo o que sabe” sobre o republicano, a quem chamou de “pedófilo”, e sobre a primeira-dama, Melania Trump – “mesmo que seja a última coisa que eu faça na minha vida”, prometeu Amanda.
“Eu vou derrubar seu sistema corrupto, mesmo que seja a última coisa que eu faça na minha vida. Eu vou até o fim – não tenho medo. Talvez você devesse ter medo do que eu sei… de quem você é e de quem é o seu marido (…) Eu não tenho mais nada a perder na minha vida. Eu vou derrubar todo o sistema – tome cuidado comigo, sua idiota”, escreveu Amanda.
As mensagens foram postadas em resposta a um vídeo de Melania publicado na última quinta-feira, em que ela negou ter relação com o criminoso sexual Jeffrey Epstein.
Nas publicações, a ex-modelo disse que esteve “ao redor” do casal por 20 anos e que vai tomar medidas legais contra Melania e “seu marido pedófilo”:
“Você sabia que eu estava detida no ICE (Agência de Imigração e Alfândega dos EUA). Você esteve presente na minha vida – todos os anos no aniversário do meu filho, inclusive enviando o Serviço Secreto e sendo a primeira a parabenizá-lo, lá em 2016. Algo claramente estava errado, mas eu não faço parte de nenhuma missão maligna envolvendo crianças. Então o que você fez, Melania? Você tentou me envolver, mas falhou – porque eu tenho caráter”, acusou Amanda.
A fala da ex-modelo faz referência a quando foi deportada pelo ICE em 2025, após 23 anos nos EUA. Uma medida que, em entrevista exclusiva ao jornal O Globo em fevereiro, ela creditou à influência do ex-companheiro, o empresário italiano Paolo Zampolli, nos bastidores do poder em Washington. A atuação de Zampolli foi confirmada por uma reportagem do New York Times.
O empresário, de fato, procurou um alto funcionário da imigração para que Amanda fosse levada a um centro de detenção do ICE. De acordo com a publicação, Zampolli tinha como objetivo recuperar a guarda do filho, Giovanni, de 15 anos, que ele e Amanda disputam na Justiça.
“Policiais entraram na nossa casa às seis da manhã, me jogaram de pijama no corredor, com o rosto voltado para a parede, e pegaram nossos passaportes. Algemaram a mim e ao meu atual marido na frente do Giovanni (seu filho), que também foi levado à delegacia porque é menor e eu não tinha com quem deixá-lo”, contou.
A ex-modelo disse também que pretende tomar medidas legais contra Melania e Trump. Amanda já foi convidada, mas ainda não intimada, a depor perante o Comitê de Supervisão do Congresso americano que investiga o caso.
Amanda também contou que, em 2002, na época com 17 anos, embarcou no avião de Jeffrey Epstein, onde afirma ter visto cerca de 30 meninas com o financista e sua cúmplice, Ghislaine Maxwell:
“Tinha mais ou menos umas 30 meninas no avião. Achei aquilo muito estranho. Elas eram mais parecidas com estudantes do que com modelos. Bonitas e bem novinhas, mas não tinham perfil de modelo.”
A memória faz referência à vez em que esteve com o criminoso sexual, quando embarcou no Lolita Express, um dos aviões de Epstein, onde participaria de um casting. O evento ocorreu no ano de 2002, em Nova York. O avião partia de Paris. A ex-modelo viajou acompanhada de seu agente na época, o francês Jean-Luc Brunel, conhecido como o olheiro de Epstein no Brasil. No mesmo ano, Amanda encontraria com Zampolli, na época um agente de modelos, também em Nova York.
Meses depois, ela iniciou o relacionamento com o italiano, a quem acusa de abuso sexual e violência doméstica. Amanda e Zampolli viveram juntos por 19 anos.
Na entrevista ao jornal O Globo, Amanda disse que o abuso sexual aconteceu na mansão de cinco andares em Gramercy Park, Nova York, que ela e Zampolli dividiam. No dia seguinte a uma festa, ele teria comentado casualmente que havia tido relações com ela – e que Amanda não se lembraria porque estava dormindo, havia desmaiado.
“Eu falei: ‘Isso se chama estupro. Eu fui abusada’. Ele reagiu com uma risada”, relatou Amanda, que afirma ter sido agredida em outra ocasião por se recusar a fazer sexo com Zampolli.
Ao longo dos 19 anos em que estiveram juntos, a ex-modelo também conta que Zampolli a levou a noitadas comandadas pelo rapper e produtor americano Sean “Diddy” Combs, atualmente cumprindo pena de quatro anos por transportar mulheres para prostituição, e a festas em iates em que a lista de convidados incluía celebridades e integrantes da realeza europeia.
Nesses eventos, diz ela, Zampolli costumava levar o próprio garçom para ter certeza de que ninguém colocaria drogas em sua bebida.
Zampolli é amigo de Donald Trump e exerce hoje o cargo de enviado especial do presidente americano para parcerias globais. Nascido em Milão, o empresário chegou a Nova York em meados dos anos 1990, mesma época em que conheceu Trump. Os dois começaram a trabalhar oficialmente juntos em 2004, mas foi nas eleições presidenciais de 2016 que a camaradagem virou lealdade.
Diante de sua defesa de políticas migratórias mais duras, Trump viu a imprensa questionar se sua esposa, Melania, trabalhara como modelo nos EUA com um visto inadequado antes de conhecê-lo. Zampolli então se apresentou como o responsável pela documentação da atual primeira-dama, afirmando ter usado sua posição como agente de modelos na época para garantir o visto de trabalho.
O círculo social de Zampolli e Trump envolvia ainda um terceiro personagem: Jeffrey Epstein, financista morto em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual. Zampolli chegou a tentar comprar em 2004, junto com Epstein, a Elite Models, uma das maiores agências de modelos do mundo.
Em 1996, ano da emissão do documento, Zampolli atuava junto à americana Metropolitan Models. No ano seguinte, ele fundou sua própria agência de modelos, a ID Models, frequentemente visitada por Epstein em Nova York. Zampolli aparece dezenas de vezes nos arquivos do caso Epstein liberados pelo Departamento de Justiça dos EUA. As informações são do jornal O Globo.
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