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Variedades Woody Allen classifica o documentário sobre ele como um “trabalho de demolição”

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Allen sempre desmentiu a acusação da filha Dylan, que teve com a atriz Mia Farrow. (Foto: Reprodução)

Woody Allen reagiu ao lançamento de um documentário contundente, que ele descreveu como um “trabalho de demolição crivado de falsidades”, antes de negar novamente uma agressão sexual contra sua filha adotiva.

Exibido na HBO e na HBO Max desde o último domingo (21), o documentário em quatro partes Allen v. Farrow  implica o diretor com uma série de depoimentos, alguns inéditos.

Dylan Farrow, filha adotiva da atriz Mia Farrow e Woody Allen, reafirma que o cineasta a assediou sexualmente em agosto de 1992, quando ela tinha 7 anos, o que Allen sempre negou.

“Esses documentaristas não estavam interessados na verdade”, escreveram Allen e sua esposa, Soon-Yi Previn, em um comunicado divulgado por vários meios de comunicação dos Estados Unidos.

“Em vez disso… Eles se envolveram em um trabalho de demolição, crivado de mentiras”, acrescentaram.

“É de conhecimento geral há décadas que essas acusações são completamente falsas”, continuou o casal, lembrando que nenhuma das duas investigações a essas acusações levou a um processo.

“Embora este ataque medíocre chame a atenção, ele não muda os fatos”, concluiu o casal que afirma ter sido contatado menos de dois meses antes da transmissão, “para responder.”

“Naturalmente, recusamos”, disseram eles.

Soon-Yi, de 50 anos, conheceu Allen aos 16, quando o cineasta era então companheiro de sua mãe adotiva Mia Farrow.

Desde o final de 2017 e após a publicação de uma coluna de Dylan Farrow, muitos atores e atrizes se distanciaram do aclamado diretor.

Em 2019, a plataforma Amazon rompeu o contrato de produção e distribuição com Allen, que incluía quatro filmes.

Benefício da dúvida

Ainda é difícil prever o impacto da série sobre os já fragilizados negócios do cineasta, que viu, nos últimos anos, um contrato com a Amazon para a produção de um filme ser desfeito, assim como a suspensão da publicação da autobiografia pela editora Hachette.

A obra acabou saindo por uma editora independente nos EUA, mostrando que Woody Allen é um dos grandes cancelados do século XXI. “Sim, estou sendo boicotado, mas eles estão comentando um erro”, disse ele ao jornalista Pedro Bial, no programa “Conversa com Bial”, no início do mês.

Professora de Estudos de Mídia da UFF e pesquisadora de “cultura do cancelamento”, Simone Pereira de Sá acha que o fato de ele ter uma idade avançada e uma trajetória consolidada acaba blindando-o dos efeitos devastadores do tribunal virtual.

“Woody Allen tem 85 anos e conseguiu uma carreira. Não temos bola de cristal para saber o que a História vai dizer daqui a 20 ou 30 anos. Quem sofre mais com o cancelamento são os jovens, com caminhos em construção, que não tiveram tempo de construir um legado. Eles, sim, podem desaparecer”, diz Simone. “O caso do Michael Jackson é parecido. Fica essa sombra enorme sobre a obra, mas é interessante pensar o quanto a pessoa é capaz de renunciar à produção de quem gosta. É um dilema.”

Mauro Palermo, diretor da Globo Livros, que publica “Woody Allen: a autobiografia”, corrobora com essa ideia ao falar dos números do livro, que já alcançou a marca de 25 mil exemplares vendidos.

“Acho que existe um público que adora Woody Allen como ator e cineasta. Evidentemente, existe uma parcela das vendas que é do sujeito que ficou curioso por causa da polêmica, e outra que não comprou porque se nega a dar qualquer dinheiro a ele. É muito difícil saber o quanto se ganhou e se perdeu exatamente, mas claro que impactou o que ele faz”, diz Palermo.

Tendo assumido um lado, o próprio documentário também discute o quanto é possível separar o homem da obra, ouvindo críticos de cinema. Sob o prisma da cultura digital, Simone deixa sua resposta:

“Já houve mais espaço para ambiguidade e contradições. Feitos só são pensados sob um conjunto de gestos.”

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