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Geral Zelenskiy diz que não haverá cessar-fogo sem a recuperação de territórios perdidos para a Rússia

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Mísseis usados em ataque são produzidos por americanos e foram doados à Ucrânia. (Foto: Reprodução/Twitter)

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, disse que um acordo de cessar-fogo com a Rússia sem a retomada de territórios perdidos apenas prolongará a guerra, de acordo com uma entrevista para o The Wall Street Journal nesta sexta-feira (22).

O líder alertou que um acordo que permita que a Rússia mantenha territórios ucranianos tomados desde a invasão em fevereiro vai apenas incentivar um conflito ainda maior, dando a Moscou uma oportunidade de se reabastecer e se armar para o próximo assalto.

Zelenskiy também falou sobre os sistemas de foguetes de artilharia de alta mobilidade (HIMARS), dizendo que “o fornecimento de Himars pelo Ocidente, embora façam uma grande diferença material, é muito menos do que a Ucrânia precisa para virar o jogo”.

“O congelamento do conflito com a Federação Russa significa uma pausa que dá à Rússia uma pausa para o descanso”, reportou o Wall Street Journal, citando comentários de Zelenskiy.

Ele disse que “a sociedade acredita que todos os territórios precisam ser liberados primeiro, e depois podemos negociar sobre o que fazer e como podemos viver nos próximos séculos”.

“Uma necessidade mais urgente é pelos sistemas de defesa antiaérea, que podem prevenir que os mísseis de longo-alcance chovam em cidades que eram pacíficas e estão a centenas de milhas das linhas de frente”, acrescentou Zelenskiy.

Em referência ao acordo assinado com a Rússia para reabrir as exportações de grãos, Zelenskiy disse que “as concessões diplomáticas a Moscou podem estabilizar de certa forma os mercados, mas apenas oferecem uma trégua temporária, e um bumerangue no futuro”.

Exportação de grãos

Nesta sexta-feira (22), ministros da Rússia e da Ucrânia assinaram, com a intermediação do secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), António Guterres e o presidente da Turquia Recep Tayyip Erdoğan, um acordo para retomar a exportação de grãos ucranianos através do Mar Negro. O acordo também compreende um plano para que fertilizantes russos cheguem aos mercados globais, ajudando assim a estabilizar os preços crescentes dos alimentos em todo o mundo e evitar uma escalada ainda maior na crise de fome que já está afetando milhões de pessoas.

A cerimônia de assinatura do acordo ocorreu em Istambul, na Turquia. O secretário-geral da ONU celebrou a iniciativa dizendo que o acordo reacende a esperança em um mundo que precisa desesperadamente disso. “Hoje, há um farol no Mar Negro”, disse o chefe da ONU. “Um farol de esperança – um farol de possibilidade – um farol de alívio – em um mundo que precisa disso mais do que nunca”.

Guterres também agradeceu ao presidente Erdogan e seu governo por facilitar as negociações que levaram ao acordo e elogiou os representantes russos e ucranianos por deixarem de lado suas diferenças em prol dos interesses comuns da humanidade. “A questão não tem sido o que é bom para um lado ou para o outro”, disse ele. “O foco tem sido no que mais importa para as pessoas do nosso mundo. E que não haja dúvidas – este é um acordo para o mundo”.

A Ucrânia está entre os principais exportadores de grãos do mundo, fornecendo mais de 45 milhões de toneladas anualmente ao mercado global, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

A invasão russa, que começou em 24 de fevereiro, provocou preços recordes de alimentos e combustíveis, bem como problemas na cadeia global de suprimentos, com milhões de toneladas de estoques de grãos presos em silos.

Além de estabilizar os preços globais dos alimentos, o acordo “trará alívio para os países em desenvolvimento à beira da falência e as pessoas mais vulneráveis à beira da fome”, disse Guterres. “Desde que a guerra começou, venho destacando que não há solução para a crise alimentar global sem garantir acesso global total aos produtos alimentícios da Ucrânia e alimentos e fertilizantes russos.” As informações são da agência de notícias Reuters e da ONU.

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