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Variedades Zorro chega aos 100 anos: Herói que desafia autoridades foi protagonista de filme que completa um século

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Douglas Fairbanks. Seu Zorro, de 1920, orientou outros heróis. (Foto: Reprodução)

Ele é a mais importante figura de ação da história do cinema e o herói das batalhas no cinema mais afortunado de todos os tempos. Este rebelde defensor da justiça e da moral, que pula nas batalhas com um sorriso no rosto, com o lema “justiça para todos”, abriu o caminho para todos os corajosos espadachins que se seguiram.

Sua agilidade em conciliar alter egos gerou os heróis seminais Superman e Batman das histórias em quadrinhos. Sempre simbolizou a América destemida com o seu otimismo radiante e as virtudes democráticas da tolerância e inclusão. Tudo isto o torna uma personalidade de grande inspiração para 2021, o ano do seu 100º aniversário no cinema. O seu nome, é claro, é Zorro.

Enquanto a Mulher-Maravilha ultimamente chamou a atenção da mídia com a sua extravagante atitude sentimental em relação ao poder do pensamento positivo, Zorro se envolve na ação social sem perder o seu ágil senso de humor. Ele é exatamente o tipo de herói da unificação que este novo ano pede: a criação fundamental de um homem que dominava o caos com uma risada – o rei da Hollywood do cinema mudo, Douglas Fairbanks Sr.

Fairbanks foi o primeiro a transformar esta criatura da literatura barata numa lenda de excepcional importância. Fairbanks foi o astro, o produtor e corroteirista sem créditos do sucesso de bilheteria, A Máscara do Zorro, que estreou nos EUA em dezembro de 1920.

Fairbanks apresentou aos amantes do cinema um aristocrata espanhol na Califórnia dos anos 1820 – um personagem de sangue azul que acredita em valores democratas: fairplay para com os pobres e proteção dos inocentes. Ele zomba das leis arbitrárias e desafia autoridades corruptas e sádicas.

A lenda é simples: a heroína conhece o fora da lei, e o fora da lei derruba o governo. O vilão é um ambicioso comandante que executa as ordens de um governador amoral, torturando sacerdotes, nativos americanos e peões, aterrorizando a classe baixa e arruinando famílias de bem, incluindo a da heroína. Ele anseia por ela; ela anseia pelo Zorro. Usando um disfarce, o fora da lei mascarado que duela com um sorriso e corteja com ardor, se transforma em Don Diego de la Vega, um membro da alta classe, que sofre de um super-refinamento e de uma fadiga crônica.

Fairbanks e os seus colaboradores (o diretor Fred C. Niblo, o corroteirista Eugene Miller) são os responsáveis pela alquimia que faz do seriado do escritor Johnston McCulley de 1919,

The Curse of Capistrano, um épico desenvolto sobre um mestre espadachim que introduz o seu humor travesso e acrobacias chocantes em buscas idealistas. Cenas de ação previsíveis tornam-se turbulentas perseguições quando Zorro salta obstáculos com cambalhotas, às vezes parando para um lanchinho.

Como no poema Sir Galahad, de Alfred Tennyson, Zorro tem a força de dez homens porque o seu coração é puro. E também é irreverente e maldoso. Seu brilho transpira um estilo nada convencional: ele abraça o caráter igualitário do Novo Mundo enquanto os seus inimigos defendem o passado feudal. Zorro levantou os ânimos nos anos 1920. Nos 2020, sua efervescência continua provocando êxtases.

Nos trabalhos anteriores de Fairbanks como o herói da paródia das comédias de ação contemporâneas como His Picture is in the Papers (1916), os fãs passaram a vê-lo como “Doug”, um tributo à sua elegância instantânea – como a de Fred Astaire, um tributo ao talento e à força de vontade. Doug transporta esta graça impetuosa para A Marca do Zorro. Com a sua alegria e determinação – qualidades que o mundo adotou como a essência do americano –, Zorro logo dominou a iconografia das películas de ação. O cinema nunca mais seria o mesmo.

Como pioneiro de dois gêneros gigantescos – dos filmes de espadachins e super-heróis –, A Marca do Zorro conseguiu ingressar no National Film Registry em 2015. A única indagação é por que isto não aconteceu antes. Ele estabeleceu um modelo de campeões atemporais, como Robin Hood, e bombeou sangue na nova e corajosa forma de pop art dos quadrinhos cômicos.

Durante um século, uma persistente sucessão de Zorros de live-action ou animação, para a telinha e a telona, de múltiplas nacionalidades, como o de Antonio Banderas, Tyrone Power, Alain Delon e Guy Williams, alimentou a popularidade de Zorro, do Centro-Oeste ao Extremo Oriente, da Islândia à África. Ele conquistou as imaginações de figuras diferentes como a romancista chilena Isabel Allende, que criou uma história de origem indígena para ele em Zorro (2005), e Quentin Tarantino e Matt Wagner, cujos quadrinhos Django Zorro (reunidos como um romance gráfico em 2015) retrata um Django preto caçador de recompensas e um Diego de meia idade unindo-se a ele para derrotar o despótico fundador de um império no Arizona.

Zorro enganou governadores gananciosos, soldados truculentos e maldosos oligarcas que tentavam apoderar-se das riquezas da Califórnia e fomentar a discórdia entre o México e os Estados Unidos. E ainda resistiu às acusações de apropriação cultural.

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