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30 anos sem Raul Seixas: saiba o que é verdade sobre o Maluco Beleza

Nesta quarta-feira, completou-se 30 anos de morte de Raul Seixas. (Foto: Divulgação)

Além de dezenas de canções inesquecíveis, como “Ouro de tolo”, “Maluco beleza”, “Gita” e “Metamorfose ambulante”, o cantor Raul Seixas deixou um monte de lendas a partir de sua morte, que faz 30 anos nesta quarta-feira. Muitas eram apenas isso – lendas cultivadas por um artista muito inventivo e dado a brincadeiras – mas outras, por mais incrível que pareça, são verdade, partes indispensáveis de uma biografia fora do comum.

Raul repetiu cinco vezes a segunda série do ginásio?

Era algo que o cantor gostava de repetir em entrevistas, mas que o jornalista Carlos Minuano foi investigar para a recém-lançada biografia “Raul Seixas por trás das canções”. Segundo ele apurou com Sylvio Passos, presidente do Raul Rock Clube e grande enciclopédia raulseixista, foram só três vezes. “Como todo bom baiano, Raul gostava de dar uma exageradinha na própria história”, comentou Sylvio. Já para outro amigo ouvido para o livro, o colega de infância Olival Filho, foram quatro vezes. Ou seja: é bem provável que a lenda não esteja tão distante da realidade.

Ele passou fome por dois anos na Cidade Maravilhosa?

Está na letra de “Ouro de tolo”, o seu primeiro sucesso, de 1973, e se refere ao período no fim dos aos 1960 em que ele e os companheiros do grupo Os Panteras saíram de Salvador e foram tentar a sorte com as gravadoras e emissoras de TV no Rio de Janeiro. “Raul passou fome, todos os Panteras passaram. Eles comeram sopa de pacotinho durante um ano”, revela o jornalista Jotabê Medeiros, que está escrevendo uma nova biografia de Raul Seixas, “Não diga que a canção está perdida”, que sai em novembro.

Raul compôs ‘Doce doce amor’, sucesso do cantor da jovem guarda Jerry Adriani?

Verdade. Jerry foi responsável pela ida de Raul Seixas (que na época era conhecido como Raulzito) com os Panteras para o Rio de Janeiro, onde eles seriam seus músicos de apoio. Mais tarde, Raul se tornaria produtor da CBS, gravadora do cantor, onde iniciou uma parceria de composição com Mauro Motta para diversos artistas, entre eles Odair José e o próprio Jerry Adriani, para quem fizeram “Doce doce amor”, um grande sucesso.

Ele era astrólogo?

Não se deixe levar pelo que o baiano cantava em “Al Capone”, parceria com Paulo Coelho. “Raul sempre se confundia com as coisas ligadas à astrologia. ‘Al Capone’ tem mais Paulo Coelho que Raul”, esclarece Sylvio Passos, acrecentando: “Isso, embora Raul dissesse que quem quisesse conhecê-lo só precisava ouvir seus discos, porque ele estava inteiro nas suas músicas. Mas esse inteiro, como se vê, tem vários lados.”

Raul fez pacto com diabo?

Em 1974, envolvido com a O.T.O., organização ocultista inspirada pelos ensinamentos de Aleister Crowley (que inspiraram também várias canções da fase Sociedade Alternativa), Paulo Coelho chegou a receber uma visita do diabo, o qual havia invocado (como contou em sua biografia, escrita por Fernando Morais) e, apavorado, rapidamente desistiu da seita. Já Raul, nem isso. “Ele era mais um curioso, um estudioso que bebia das fontes e dali tirava elementos para as suas músicas”, conta Sylvio Passos.

Ele encontrou John Lennon nos EUA?

Até o fim da vida, Raul jurou ter passado dias na casa do beatle em Nova York (em 1974, com Paulo Coelho) e trocado muitas ideias com ele, como contou em uma entrevista a Jô Soares em 1989: “Conversamos sobre as pessoas que fizeram a cabeça do planeta Terra, e aí ele me perguntou qual a grande figura do Brasil. Eu não tinha ninguém para citar, falei Café Filho ( presidente do Brasil entre 1954 e 1955 ). Ele perguntou: ‘Quem?’ Aí eu disse: ‘Nada…’” Segundo Paulo Coelho, foi tudo lenda: Yoko Ono falou com os dois rapidamente, mas Lennon não os recebeu.

O Maluco Beleza passou por algum hospício?

Em meados dos anos 1980, Raul chegou a se internar na Clínica Tobias, em São Paulo, mas para tratar a dependência em álcool e drogas, nada que envolvesse psiquiatria. “Mas tem uma história que o pesquisador Leonardo Mirio diz ter ouvido do ( falecido ) maestro Miguel Cidras de que ele teve que tirar o Raul de uma clínica de loucos no Rio em 1984”, conta Sylvio Passos, insinuando que a lenda pode ter um fundo de verdade.

Raul foi preso porque acharam que ele era um sósia de si mesmo?

Fato: aconteceu em maio de 1982 em Caieiras, São Paulo. Aos 36 anos, debilitado por problemas de saúde e o desempenho abaixo do esperado, o público não o reconheceu e começou a gritar que ele era um imitador. Raul xingou seus fãs e acabou indo parar na cadeia, de onde só foi liberado depois que alguém levou seus documentos ao delegado. O imbróglio virou até filme. Rita Lee interpretou Raul no curta “Tanta estrela por aí…”, de 1991, dirigido por Tadeu Knudsen.

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