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A Academia de Hollywood vai criar Oscar para o filme mais popular

Hollywood tenta reconquistar a audiência perdida na transmissão da cerimônia de premiação do Oscar. (Foto: Reprodução)

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas continua em luta para reconquistar a popularidade perdida do Oscar. Por isso, a instituição anunciou uma nova categoria, que premiará o melhor entre os filmes mais populares. Um novo quesito que se somará às 24 categorias já existentes. Por enquanto, a Academia não forneceu detalhes, nem mesmo quais filmes poderão aspirar à estatueta, nem quem se encarregará da indicação e posterior seleção. Mas por trás da notícia está a necessidade que a Academia sente de incluir entre seus prêmios esses outros filmes que, há anos, ficam de fora. A necessidade, por exemplo, de que em 2019 Pantera Negra esteja entre os filmes indicados.

Trata-se de uma decisão que gerou polêmica dentro do setor, mas já era esperada. A Academia deseja frear o rápido declínio dos prêmios mais populares do cinema. Ou, pelo menos, o declínio da sua transmissão televisiva. Embora o Oscar continue sendo considerado um indicador de qualidade dos méritos de um filme, o público há tempos deixou de se interessar por uma cerimônia que não reflete seus gostos. Os anos em que o Oscar era dado aos grandes blockbusters, como Titanic (11 estatuetas em 1998), Gladiador (5 em 2001) e O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei (11 em 2004) ficaram para trás. Nas últimas edições, o Oscar de melhor filme foi para títulos como Moonlight, Spotlight e A Forma da Água, cujos méritos ninguém discute, mas que foram ignoradas pelo grande público. Enquanto isso, filmes campeões de bilheteria, como Guardiões da Galáxia e Star Wars: O Despertar da Força, passaram em branco pelo Oscar. Só foram recordados na hora de premiar seus méritos técnicos, fazendo ouvidos moucos ao gosto do público ou mesmo da crítica.

A Academia tentou solucionar essa divisão entre os gostos dos acadêmicos e do público aumentando para 10 o número de indicados ao troféu de melhor filme. A decisão, tomada em 2009, foi uma resposta à ausência de Batman: O Cavaleiro das Trevas. Uma medida que abriu as portas à indicação (mas não à vitória) de filmes populares como Avatar, Perdido em Marte, A Origem e Mad Max: Estrada da Fúria. Mas, na última edição, a soma da bilheteria de todos os indicados mal chegava à arrecadação de uma das principais estreias do ano. Um reflexo, segundo a crítica, de que filmes como Lady Bird – A Hora de Voar e Me Chame Pelo Meu Nome são ótimos para desfrutar nos famosos screeners, vídeos que os acadêmicos recebem para assistir no conforto das suas casas. Mas não motivam praticamente ninguém a ir ao cinema.

“Escutamos quem fala em melhorias para manter a relevância do Oscar e da nossa academia em um mundo que está mudando”, disseram o presidente da instituição, John Bailey, e sua executiva-chefe, Dawn Hudson, numa carta conjunta dirigida aos membros com o anúncio da nova categoria. No mesmo comunicado, a direção da Academia salientou que a cerimônia continuará durando três horas, após as críticas recebidas pela última edição, em que o espetáculo se prolongou por quase quatro.

A 90ª edição do Oscar foi a menos vista na história dessa transmissão. Foi acompanhada por 26,5 milhões de telespectadores nos EUA, com uma queda de 19% em sua audiência.

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