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A China acabou se tornando um aliado importante para o Brasil, ignorando ataques que recebeu ainda na campanha eleitoral

Lei foi sancionada no início do mês com mais de 30 pontos vetados pelo presidente. (Foto: Alan Santos/PR)

Alvo de ressalvas e provocações por parte do presidente Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral, no fim do ano passado, a China acabou se tornando um aliado importante para o Brasil sob o ponto de vista ambiental. Foi o primeiro país a defender o governo brasileiro dos ataques que partiram, principalmente, de países europeus, por causa das queimadas na floresta amazônica. Esse apreço poderá se traduzir em acordos importantes durante a visita de Bolsonaro a Pequim, no mês que vem, acreditam fontes do governo e do setor privado ouvidos pelo jornal O Globo.

Em 23 de agosto último, antes mesmo de Estados Unidos, Israel e nações sul-americanas afinadas com a diplomacia de Jair Bolsonaro se manifestarem, o número dois da embaixada chinesa em Brasília, Qu Yuhui, elogiou a política ambiental brasileira. Além disso, enquanto França e Irlanda defendiam a imposição de travas às exportações do Brasil – chegando a ameaçar vetar o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia por causa do desmatamento na Amazônia –, Qu Yuhui disse que Pequim teria interesse em negociar um tratado comercial com o Brasil ou com o bloco sul-americano.

A declaração do diplomata chinês foi seguida, dias depois, por uma medida importante para o agronegócio brasileiro. Na semana passada, Pequim anunciou a expansão das compras de carnes do Brasil, por meio da habilitação de 25 frigoríficos nacionais. Na interpretação de uma fonte da área diplomática, a China, com seu pragmatismo voltado para a área econômico-comercial, assumiu um novo patamar nas relações bilaterais.

O cenário é bem diferente do que se previa no início deste ano. No fim de 2018, Jair Bolsonaro fez críticas diretas aos investimentos chineses. Disse que a China estaria “comprando o Brasil, e não do Brasil”. No início deste ano, havia incertezas entre os investidores daquele país em relação a projetos brasileiros de desenvolvimento que somente agora começam a ser dissipadas.

Em outra ocasião, no período pré-campanha e na qualidade de deputado federal, Bolsonaro fez uma visita oficial a Taiwan, o que despertou indignação em Pequim. A ilha é considerada pela China como uma “província rebelde”, um tema de soberania nacional no qual não admite interferências externas.

Agora, Bolsonaro se prepara para viajar à China em outubro. Em novembro, será a vez de o presidente Xi Jinping vir a Brasília, para participar da reunião de cúpula de chefes de Estado dos Brics, o bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

A avaliação em Brasília é que os frutos dessa espécie de revisão das relações bilaterais já estão sendo colhidos. Para quebrar o gelo, já estiveram na China o vice-presidente Hamilton Mourão e a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, no primeiro semestre. Com a ida de Bolsonaro, são esperados acordos de redução de barreiras ao comércio e o aumento da presença chinesa em obras de infraestrutura, energia, petróleo e gás.

O Brasil atrai a China pela sua posição estratégica nas Américas, por sua abundância de recursos naturais e pelo fato de ser um dos maiores fornecedores de commodities do mundo. Para o governo brasileiro, as relações com a China, “desideologizadas”, levam em conta quatro vertentes: comércio, investimentos, transferência de tecnologia e defesa.

Desde o início do ano, várias reuniões envolvendo autoridades e empresários dos dois países já foram realizadas. As discussões que ocorreram no âmbito da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível (Cosban), que do lado brasileiro é presidida por Mourão, foram fundamentais para essa nova roupagem das relações bilaterais, comentou uma fonte ligada ao Palácio do Planalto.

A China tem uma estratégia sofisticada em relação à América Latina. Deixa claro que, em hipótese alguma, vai se intrometer na política interna dos países. Os chineses, por exemplo, têm uma ótima relação com o Sudão, mesmo com o genocídio de Darfur”, afirmou o professor de relações internacionais Oliver Stuenkel, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Em sua opinião, a retórica anti-China que havia no início do governo não existe mais. Prova disso são os intensos contatos entre representantes dos dois governos. “Conseguiram convencer o presidente Bolsonaro que o custo de uma briga com a China é muito grande. Bolsonaro não teria ganho político algum em atacar a China”, destacou Stuenkel.