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A inflação baixa reflete o consumo ainda tímido das famílias e a queda da renda dos brasileiros

Inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo fechou agosto com alta de 0,11%, ante um avanço de 0,19% em julho. (Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

A inflação sob controle, apesar das altas recentes do dólar, deve manter a perspectiva de que os juros básicos, hoje em 6% ao ano, fiquem na casa dos 5% ao ano até o fim de 2019, mas também reflete o ritmo lento de recuperação de uma economia que não consegue engatar.

Na sexta-feira (6), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou agosto com alta de 0,11%, ante um avanço de 0,19% em julho.

A avaliação é do consultor e ex-diretor do Banco Central Alexandre Schwartsman. Ele também lembra que os preços comportados refletem o consumo ainda tímido das famílias e que a queda da renda dos brasileiros nos anos de crise ainda deve demorar a se recuperar.

Leia a seguir alguns trechos da entrevista de Schwartsman ao jornal O Estado de S. Paulo.

O que a inflação de agosto diz sobre o estado atual da economia?

Os números mostram que é a absoluta ausência de surpresas. Os núcleos de inflação estão inalterados nos últimos 12 meses, é uma economia que não tem tensão inflacionária. Há alguns efeitos desinflacionários vindo de fora: crescimento global mais fraco, preços de commodities em queda e a crise Argentina, que pesa direto na produção industrial do Brasil. Pelos números, dá para ver que a exportação de manufaturados está perdendo fôlego.”

A recuperação deve vir do mercado interno?

A recuperação não virá de fora, é preciso colocar mais demanda doméstica para puxar a economia. O consumo está muito fraco ainda, mais forte do que o resto da economia, mas muito distante do ideal.”

O consumo vai continuar fraco enquanto o desemprego continuar resistente?

A taxa de criação de empregos, na comparação com todo o resto, não está tão mal. Houve uma recuperação expressiva na comparação com os piores momentos da crise. Se a gente parar para pensar, eram 92,5 milhões de empregos em 2015, caiu para 89,5 milhões durante o pior momento da crise. A gente está na casa de 93,5 milhões, mas é um emprego de pior qualidade. O emprego formal ainda está muito abaixo do período pré-crise, subiu no informal e no conta própria. O que leva a uma renda mais baixa também.”

O emprego informal acaba inibindo a concessão de crédito também, certo?

Sim, os bancos tendem a ser mais reticentes para dar crédito para quem está informal ou por conta própria. A economia depende muito da recuperação da renda e não tem muito como alavancar a renda neste momento.”

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