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A Justiça gaúcha condenou dois neonazistas acusados de agressão a jovens judeus em Porto Alegre. Eles poderão recorrer da sentença em liberdade

Sentença lida pela juíza liberou um dos réus, devido à prescrição do crime de lesão corporal leve. (Foto: Divulgação/TJ-RS)

Após dois dias de sessão, na madrugada desse sábado a Justiça do Rio Grande do Sul condenou dois homens acusados de esfaquear e espancar três jovens judeus em Porto Alegre, em 2005. Daniel Vieira Sperk e Leandro Comaru Jachetti receberam sentenças de 14 anos de prisão em regime fechado, por tentativa de homicídio qualificado, mas poderão recorrer da sentença em liberdade.

Um terceiro réu, Marcelo Moraes Cecílio, teve a participação desclassificada para lesão corporal leve e, com isso, a sua punibilidade no processo foi extinta. Motivo: o crime prescreveu.

O ataque ocorreu na esquina das ruas da República e Lima e Silvam, no dia 8 de maio de 2005 – justamente a data em que se comemoravam os 60 anos da rendição da Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial (1938-1945). De acordo com depoimentos das vítimas e de testemunhas, o trio de jovens judeus passava pelo local quando foi perseguido pelos neonazistas, supostamente ligados ao movimento skinhead (“cabeça raspada”, em inglês), defensores de ideias de supremacia racial branca e que têm como alvo homossexuais, negros e outros grupos.

As vítimas, que usavam quipás (pequeno chapéu masculino em forma de circunferência) sofreram agressões graves, incluindo facadas. Os advogados de defesa dos acusados, no entanto, contestaram as acusações, alegando não haver provas de que o trio estava no local no momento do incidente.

O fato é que Rodrigo Fontella Matheus foi golpeado a faca, socos e pontapés. Ele só não morreu porque foi salvo pela intervenção de terceiros e recebeu pronto atendimento médico. Já Edson Nieves Santanna Júnior, também golpeado com arma branca, mas conseguiu se abrigar dentro do bar, mesma situação vivida por Alan Floyd Gipsztejn.

O julgamento foi presidido pela juíza de Direito Cristiane Busatto Zardo, da 2ª Vara do Júri do Foro Central da capital gaúcha. Na acusação, atuaram pelo Ministério Público os promotores Lúcia Helena Callegari e Luiz Eduardo do Oliveira Azevedo, tendo como assistentes João Batista Costa Saraiva e Helena Erick Sant’Anna. A defesa dos réus, por sua vez, ficou a cargo de Jacques Xavier Nunes (Leandro e Daniel) e Rodrigo Rosa de Lima (Marcelo).

Ideologia

Inspirados nas ideias de superioridade da raça ariana propagadas pelo regime comandado por Adolf Hitler na Alemanha entre 1933 e 1945, os neonazistas contam com milhares de seguidores por todo o planeta. No Brasil, estima-se em mais de 100 mil somente na Região Sul, de acordo com um estudo antropológico publicado em 2013 pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) em 2013.

Especialistas consideram essa realidade alarmante. Desde o início desta década, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República recebeu relatos anônimos sobre um total de mais de 22 mil sites e páginas de redes sociais dedicados a esse tipo de ideologia. São imagens, textos, vídeos, músicas e outros itens, com páginas hospedadas dentro e fora do País.

(Marcello Campos)

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