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Cientistas da Nasa explicam por que não chove em Marte

Imagens de Marte revelam um planeta seco e de céu cinzento. (Foto: Divulgação)

Imagens de Marte revelam um planeta seco e de céu cinzento com o que parecem ser nuvens escuras de um tempo chuvoso. A presença de água ou neve em abundância não é comum por lá, então o que explica essa constante aparência nublada? Embora o Planeta Vermelho ainda tenha muitos segredos a serem revelados, a Nasa (agência espacial norte-americana) aponta que há uma hipótese que pode esclarecer essa questão.

David Palmer e Kevin Boyce, astrofísicos da agência espacial estadunidense, dizem que essas nuvens são provavelmente formadas por gelo, como aquele presente na névoa fina e leves camadas de gelo que se formam em dias muito frios sobre o solo. Enquanto isso, a atmosfera rarefeita de Marte e sua temperatura extremamente gelada impedem que as nuvens congeladas cheguem a formar chuva e até mesmo neve, como acontece na Terra.

“Essa precipitação provavelmente toma a forma de geada, em vez de chuva ou neve. É provável que o solo seja mais frio que o ar [especialmente em noites claras e frias], e assim o ar batendo no chão esfria e a água congela no chão como geada. Viking II (um lander de Marte nos anos 70) viu geada no chão em algumas manhãs”, completam Palmer e Boyce.

Em abril, o lander InSight registou uma foto em Marte que deixa bem evidente o céu nublado predominante no planeta (imagem acima). Com certeza, esse é um aspecto que os cientistas já estão considerando em suas pesquisas sobre o lugar, especialmente porque no futuro deve haver missões envolvendo humanos em Marte. Isso sem deixar de lado que a NASA planeja colonizá-lo em algum momento distante.

Tempestade de poeira

Um relatório da Nasa sugere que tempestades de poeira em Marte poderiam ter impactado aspectos naturais do planeta, como água e emissão de energia solar. O fenômeno intenso pode durar semanas e cobrir uma extensão tão grande quanto a área total dos Estados Unidos; por isso, também pode colocar em risco qualquer missão atual e futura em território marciano.

Essas descobertas não chegaram à agência espacial norte-americana da melhor maneira. Elas vieram à tona depois de uma enorme tempestade de poeira tomar Marte em outubro de 2018, o que impediu a irradiação da luz solar por semanas. Isso acabou atingindo e danificando o rover Opportunity, encerrando mais cedo as suas atividades de quase 15 anos no Planeta Vermelho.

Entretanto, nem tudo foi perdido, pois, durante a tempestade, outras oito sondas estavam orbitando Marte ou percorrendo sua superfície. Esses robôs conseguiram assistir a todo o fenômeno e, ao mesmo tempo, coletar e enviar uma grande quantidade de dados para a Terra.

Efeitos

Em análises preliminares desses dados, os cientistas da Nasa notaram que as tempestades podem estar afetando a água, os ventos e o clima de Marte. Também perceberam que as condições devem impactar futuramente o clima e a geração de energia solar; exemplo disso é que os pesquisadores já encontraram vários indícios de que houve rios, lagos e até mesmo oceanos há bilhões de anos no planeta.

A questão atual é que o desaparecimento de toda essa água pode estar ligado às tempestades de poeira. “Ao empurrar a água para a atmosfera superior, as tempestades globais de poeira podem interferir no ciclo da água do planeta, evitando que H2O se condense e volte à superfície. Na Terra, o H2O cai em forma de chuva ou neve, e o mesmo processo poderia ter existido em Marte bilhões de anos atrás”, explicou a cientista Lonnie Shekhtman.

Com essas descobertas, os especialistas pretendem explorar mais a fundo o quanto as tempestades influenciam vários outros aspectos naturais do passado, do presente e do futuro de Marte. Eles ainda devem considerar esses detalhes para a redução de danos em próximos projetos e missões no Planeta Vermelho.

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