Últimas Notícias > Capa – Destaques > Polícia Federal prende quadrilha que atua no mercado de moedas virtuais e opera pirâmides financeiras no Rio Grande do Sul

Falsa médica tinha uma página no Facebook com o nome “aborto assistido” e cobrava 4 mil reais pelo procedimento

Ao menos 25 mulheres procuraram a falsa médica para interromper a gravidez. (Foto: Reprodução)

Uma mulher que se passava por médica e se vangloriava pelos crimes que cometia foi presa em flagrante na manhã de sexta-feira (6) em um hotel da Zona Leste de Belo Horizonte (MG) enquanto se preparava para realizar abortos em duas clientes, grávidas de 2 e 3 meses, respectivamente. Para atrair as gestantes, a mulher, de 36 anos, usava uma página do Facebook com o nome “Aborto assistido – atendimento profissional especializado” e cobrava, no mínimo, 4 mil reais para realizar o procedimento. As informações são do jornal O Tempo e da Polícia Civil de Minas Gerais.

Ao menos 25 mulheres procuraram a falsa médica para interromper a gravidez, afirma o delegado Emerson Morais. A Polícia Civil teve acesso a áudios em que a investigada contava ter clientes de várias regiões do País e, inclusive, do exterior. Um casal teria vindo de Lisboa, Portugal, para realizar o procedimento com a mulher.

Na rede social, ela afirma que o procedimento é “100% garantido” e que o aborto é feito com “medicamento utilizado em países de primeiro mundo”.

Quanto mais avançada estava a gestação, maior era o valor cobrado pelo serviço. O delegado Luciano Guimarães conta que, segundo apurado, ela realizava o aborto em gestantes com até 30 semanas de gravidez.

No momento em que foi presa, a suspeita estava com uma das clientes em um quarto de hotel, enquanto outra mulher aguardava em outra acomodação. No local, a polícia apreendeu comprimidos de Cytotec, um comprimido irregularmente usado para interromper a gravidez, além de vários frascos de um medicamento de fórmula ainda desconhecida. Também foram apreendidos R$ 9.500 – R$ 5.500 com a grávida de 3 meses e R$ 4.000 com a grávida de 2 meses. O dinheiro seria usado para pagar pelo procedimento.

Outros R$ 12 mil foram localizados na casa dela, em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana. Lá, a polícia encontrou dezenas de frascos de medicação desconhecida, mais cartelas de Cytotec, seringas, agulhas, compressas, gazes, computadores e celulares.

Conforme o delegado Morais, para não levantar suspeitas, ela sempre atendia as clientes em hotéis e motéis. Ela pedia que as mulheres fizessem a reserva e comparecia no estabelecimento como visitante, evitando qualquer registro. Segundo as investigações, a suspeita sempre chegava em uma motocicleta e realizava todo o procedimento sozinha.

As duas mulheres encontradas no hotel na sexta-feira passaram por exames médicos, foram ouvidas e liberadas, já que os abortos não chegaram a ser concluídos. A Polícia Civil já intimou as outras 25 mulheres que teriam passado pelo procedimento. Elas terão de apresentar a certidão de nascimento ou óbito do bebê ou então entregar relatório médico que comprove a indicação de aborto. Caso não consigam comprovar a interrupção legal da gestação, elas responderão por provocar aborto em si mesma ou consentir que outro provoque, crime previsto no Código Penal.

A mulher foi presa preventivamente e deve responder pelos crimes de aborto com consentimento da gestante, com pena de 1 a 4 anos de prisão para cada caso, e também pelo armazenamento de medicamento de uso proibido, com pena de 10 a 15 anos de prisão.

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