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Joesley Batista percorre o País para tentar evitar fracasso de delação

Joesley Batista no caminho de um de seus diversos depoimentos. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Prestes a ver o STF (Supremo Tribunal Federal) julgar a validade de sua delação premiada, o empresário Joesley Batista, da JBS, corre o País para tentar provar a relevância do que tem a contar às autoridades. Desde que a PGR (Procuradoria-Geral da República) pediu a rescisão do acordo, em setembro do ano passado, Joesley prestou 20 depoimentos em pelo menos seis Estados, em inquéritos que atingem vários políticos.

Só nas últimas semanas, ele foi ouvido em investigações sobre o ex-ministro e deputado eleito Alexandre Padilha (PT), em São Paulo; o ex-governador Sergio Cabral, no Rio; e o ex-presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves, no Rio Grande do Norte. Também esteve em Brasília, para falar com os juízes auxiliares que trabalham com o ministro do Supremo Edson Fachin, responsável pela relatoria da validade do seu acordo. A expectativa é que o julgamento ocorra no primeiro semestre.

O périplo de Joesley pela Justiça acontece numa tentativa de evitar a rescisão do acordo de delação do empresário. O Ministério Público Federal, no entanto, afirma que tanto Joesley como seu sócio, Ricardo Saud, omitiram informações e pede o cancelamento do acordo.

Na capital paulista, Joesley e Saud falaram ainda em inquérito da Polícia Federal, que corre em sigilo, a respeito de doações de caixa 2 para a campanha de Alexandre Padilha, em 2014.

Joesley se preparava para viajar a Brasília na segunda-feira que vem para prestar depoimento no STF. Seria um dos principais movimentos que faria para tentar manter seu acordo de delação.

No Rio, Joesley disse ter pago R$ 27,5 milhões de propina a Sergio Cabral (MDB) por uma fábrica em Piraí, cidade de origem do governador Luiz Fernando Pezão, que hoje está preso. O empresário reiterou que os pagamentos foram feitos a pedido de Cabral para as campanhas de Pezão, de candidatos a deputados estaduais aliados e para comprar apoio de partidos que dariam tempo de TV a seu sucessor no governo do Estado.

Segundo o empresário, com o acerto, a JBS ficou com uma fábrica nova da BRF sem pagar um centavo.

A defesa de Cabral informou que “nunca houve troca de incentivos para apoio político financeiro” em seu governo. “Os incentivos foram dados visando a geração de emprego e renda nas regiões do interior do Estado do Rio”, afirma a nota.

Ouvido por videoconferência, Joesley também falou como testemunha de acusação contra Henrique Alves. O empresário disse que deu aval para o repasse de R$ 3 milhões da J&F à campanha de Alves em 2014, quando o então presidente da Câmara era candidato ao governo do Rio Grande do Norte.

No último depoimento que prestou no gabinete de Fachin, Joesley negou acusações de omissões no acordo de sua delação. Ele também se defendeu da acusação de que o ex-procurador Marcello Miller teria participado das negociações do acordo quando ainda atuava no Ministério Público. Afirmou que Miller só participou da leniência da empresa e das tratativas junto ao Departamento de Justiça americano.

Para o advogado André Callegari, responsável pela defesa de Joesley, a colaboração do empresário é “robusta” em termos de provas e dados de corroboração entregues à Justiça.

“Diferentemente do que ocorreu nas outras colaborações, Joesley entregou tudo antes. Nos outros casos, os dados da colaboração foram entregues depois. Por isso, a colaboração da J&F é sui generis”, disse.

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