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Preso e ameaçado de expulsão, um ex-governador de Minas Gerais se desfiliou do PSDB

Eduardo Azeredo foi condenado a 20 anos e um mês de reclusão. (Foto: ABr)

O ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo, que cumpre pena de 20 anos e um mês de prisão por condenação no mensalão tucano, se desfiliou do PSDB no último dia 8, quando teve seu registro de filiação cancelado pela Justiça Eleitoral.

A saída do PSDB, solicitada por Azeredo à Justiça Eleitoral ainda em abril, ocorre no momento em que sua prisão completa um ano e quando o partido se prepara para adotar um novo código de ética que poderia atingi-lo.

A régua para expulsão de filiados aventada entre os tucanos é a condenação em segunda instância — marco decidido pelo STF (Supremo Tribunal Federal) para o início do cumprimento da pena e motivo que levou Azeredo à prisão.

Para que Azeredo não tivesse que passar por um processo de expulsão da sigla, o que consideram mais um constrangimento a ele, seus aliados tucanos já costuravam uma saída que julgam mais respeitosa: que o ex-governador se adiantasse e pedisse a desfiliação, como foi feito.

O presidente do PSDB em Minas Gerais, deputado federal Paulo Abi-Ackel, confirmou ter sido comunicado sobre ​a saída. Azeredo lhe escreveu uma carta na qual solicita a desfiliação.

O desligamento do partido foi feito por meio do cancelamento da filiação, processo efetuado diretamente com a Justiça, sem necessidade de passar pelas instâncias partidárias.

Azeredo, no entanto, já estava afastado do PSDB e da vida política desde 2014, quando renunciou ao mandato de deputado federal para que o processo do mensalão, prestes a ser julgado pelo STF, fosse enviado à primeira instância — o que atrasaria a tramitação e possibilitaria mais recursos contra condenação.

Segundo familiares do ex-governador, a decisão de sair do PSDB não tem relação com a possibilidade de expulsão após o partido adotar novas regras de conduta ética. Azeredo não vê motivo para continuar filiado a um partido político, já que não pretende mais se candidatar a cargo algum.

Azeredo foi o primeiro nome de peso do PSDB a ser preso — Aécio Neves, alvo de escândalo de corrupção em 2017, não chegou a ter a prisão decretada. A prisão do ex-governador tucano foi mais um revés em ano eleitoral para o presidenciável do partido, Geraldo Alckmin (PSDB).

Após o resultado ruim nas eleições de 2018, a convenção nacional do PSDB, no próximo dia 31, vai renovar a direção do partido e também aprovar um código de ética e regras de compliance.

As mudanças na sigla seguem orientação do governador de São Paulo,João Doria (PSDB), principal líder tucano e nome colocado para a eleição presidencial de 2022. O ex-deputado Bruno Araújo (PE) é o nome apoiado por Doria e que deve assumir o comando do PSDB.

Doria é a favor de uma “faxina ética” no partido, com punição àqueles que tiverem cometido atos de corrupção. O governador paulista já disse que o PSDB tem que adotar medidas diante de sentenças dos tribunais.

Azeredo se entregou à polícia em 23 de maio de 2018, um dia após ser condenado em segunda instância pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais por peculato (desvio de recurso público) e lavagem de dinheiro.

Por decisão da Justiça, o ex-governador cumpre pena no Primeiro Batalhão do Corpo de Bombeiros em Belo Horizonte, e não em um presídio comum.

Em 2007, a Procuradoria-Geral da República denunciou Azeredo, o publicitário Marcos Valério e outras 13 pessoas por desvios de R$ 3,5 milhões em recursos de estatais e empréstimos fictícios que abasteceram sua fracassada campanha de reeleição em 1998.

O mensalão tucano, considerado um embrião do esquema de mesmo nome do PT, foi descoberto em 2005, quando Azeredo presidia o PSDB.

A defesa do ex-governador recorre da condenação aos tribunais superiores. De acordo com advogados e familiares, há esperança de reverter a sentença que consideram injusta.

 

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