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Troféu da insensatez

Para o presidente, o índice de desemprego "não mede a realidade" e "engana" a população. (Foto: Marcos Corrêa/PR)

Na semana que passou no Brasil tudo o que tinha de dar errado, deu. Se Deus é brasileiro, entrou de férias. Somos incapazes de concordar minimamente sobre o que é mais prioritário e urgente. Cada um tem sua receita e não abre mão dela.

Para começo, há dúvidas sobre se existe governo. Bolsonaro confirma a cada passo o que já era antes possível intuir: falta-lhe visão estratégica, capacidade de diálogo com a nação, conhecimento da política. Falta-lhe leitura e o dom da palavra. É homem de reduzidas habilidades. Só se faz entender pelos seus exaltados seguidores nas redes sociais. Não acresce um único aliado aos seus valores e propósitos, e perde rapidamente o capital político que angariou na eleição.

Bolsonaro já disse, mais de uma vez, que não veio para fazer, mas para desfazer o mal que veio antes dele. Pode dar certo um governo de ambição tão rala? É isso que ele pensa, que foi eleito para o desmantelamento, a desconstrução? O papo maçante do PT era o do “nós contra eles”. O de Bolsonaro é o mesmo, de mão trocada.

Em Brasília, a reforma da previdência está no caminho certo para o brejo. Partidos inteiros desertam do compromisso de apoiá-la. Não há reforma previdenciária sem perdas. Mas se ficar a impressão de que uma corporação – como a dos militares – receberá compensações e perderá menos, os políticos, com o seu aguçado senso de sobrevivência, terão a razão que falta para não votarem a reforma impopular.

De outro ponto da Esplanada, o ministro Sérgio Moro resolveu peitar o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, para que acelere o trâmite do seu pacote anticrime. O juiz pode expedir mandado de prisão, quebrar sigilo bancário, homologar acordo de delação, condenar réu no processo de sua alçada. Mas projetos de lei , para passarem no Congresso, pedem tenacidade, paciência, articulação política. Ninguém aprova leis pelos belos olhos de ministro de Estado.

Maia não é o meu deputado predileto, mas era tudo o que o governo tinha na articulação política. Ela agora está nas mãos de um punhado de neófitos voluntariosos.

Na mesma Praça dos Três Poderes, uma parte ponderável do Supremo Tribunal Federal está em conflito aberto com os procuradores da Lava Jato. Semana sim, outra também, estes últimos, diante das críticas mais banais, ou de qualquer decisão que os incomode, entoam o mantra de que “querem acabar com a Lava Jato”. Eles se têm na alta conta de únicos honestos e de último baluarte na luta contra a corrupção. A empáfia gera reações. A do STF é apenas uma delas.

Até mesmo a prisão de Temer vai engrossar a indisposição do MDB, de setores do PSDB e de outros partidos, para qualquer coisa que venha do governo.

Os poderes digladiam entre si, em embates gerais e pontuais: é tudo o que o Brasil não precisa nesta quadra errática da vida nacional. Haverá alguma voz disposta a trazer um pouco de luz, a propor uma trégua, necessária para que, de algum modo, nós possamos nos recompor? Ou vai continuar rodando assim o carroção pesado, de rodas enferrujadas, em que nos transformamos? No final, nos enfrentaremos todos para saber quem ganha o troféu da insensatez?

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