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Companhia aérea fará testes para saber se passageiros aguentam 19 horas no avião

Interior do Boeing 787-9 Dreamliner, que será usado pela Qantas em seus futuros voos de Sydney para Nova York e Londres. (Foto: Brent Winstone/Qantas Airways/Divulgação)

Quanto tempo você aguentaria dentro de um avião? A companhia aérea australiana Qantas vai realizar testes para saber como os passageiros e as aeronaves reagem a nada menos do que 19 horas de voo. Esta é a duração das próximas rotas que a empresa lançará, para Nova York e Londres, a partir de Sydney, sem escalas.

As novas rotas fazem parte do chamado “Project Sunrise”, cuja meta é a ligação aérea entre a costa leste da Austrália (Sydney, Brisbane e Melbourne) à capital britânica e à maior cidade dos Estados Unidos. Antes de implementar essas frequências, a Quantas realizará um por mês, durante três voos-testes,  entre outubro e dezembro.

A operação será a bordo de aviões Boeing 787-9 Dreamliner, desenvolvidos especialmente para voos de longuíssima duração. Os voos experimentais acontecerão durante a entrega das três novas aeronaves à companhia. Em vez de eles saírem de Seattle, onde fica a fábrica da Boeing, direto para a Austrália, dois deles serão reposicionados para Nova York e um para Londres, e de lá voarão para Sydney.

Cada um deles deverá transportar cerca de 40 pessoas, entre funcionários da empresa e tripulação, que serão submetidos a uma série de testes e exames que medirão do nível de cansaço e desconforto à duração do jet lag após o pouso. Por isso, não haverá venda de bilhetes para essas operações.

As “cobaias” serão equipadas com dispositivos eletrônicos que analisarão seus comportamentos e sensações durante o voo. Algumas experiências específicas poderão ser feitas durante a viagem. Os pilotos também serão testados, principalmente para a companhia saber em que momentos da jornada de 19 horas eles deverão parar para descansar.

Quando lançados, os voos Sydney-Londres e Sydney-Nova York serão os mais longos do mundo. Nesta competição particular entre as empresas baseadas na Oceania e na Ásia, o título atualmente está com a Singapore, que liga o aeroporto de Changi, em Cingapura, ao de Newark, em Nova York, em 18h30min em média.

Só para se ter uma ideia, o voo mais longo saindo do Brasil é o São Paulo – Doha, pela Qatar Airways, com 15 horas em média de duração. De Guarulhos sai também o segundo voo mais longo, o São Paulo-Dubai, pela Emirates, com 14 horas em média de duração. Na terceira posição está o Rio-Dubai, com 13h30m em média, também operado pela Emirates.

Menu contra o jet lag

Os novos voos de longuíssima duração da Qantas devem ter cardápio elaborado especialmente para combater os efeitos do jet lag , nos mesmos moldes do criado para o voo Perth-Londres, lançado pela mesma companhia em março de 2018.

O cardápio foi desenvolvido por pesquisadores do Centro Charles Perkins da Universidade de Sydney e especialistas da própria companhia aérea australiana. O objetivo era chegar a alimentos e bebidas que facilitem o sono em horários ideais durante o voo.

Para isso, o menu priorizou pratos mais leves, como uma salada de atum, e com ingredientes que aumentem a hidratação do corpo, como folhas verdes, pepino, morangos e aipo. Um chá de ervas, com limão, camomila e erva cidreira, desenvolvido especialmente para a Qantas, com propriedades relaxantes, também é servido aos passageiros. A ingestão de líquidos é fundamental durante a viagem, principalmente água.

Uma série de exercícios também ajuda a combater os efeitos do jet lag, principalmente para quem viaja na classe econômica. A principal recomendação dos especialistas é usar ao máximo os corredores da aeronave: andar sempre que possível ou, ao menos, a cada duas horas.

Caminhar ajuda a aliviar o inchaço e a retenção de gases, incômodos comuns em voos de longa duração. A atividade é fundamental para quem tem problemas cardiovasculares, pois ajuda a evitar tromboses. Mesmo na poltrona, o passageiro pode realizar uma série de alongamentos nos ombros, pescoço, pernas e pés.