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Uma mulher deu à luz gêmeos apenas 26 dias após um outro parto

A mãe e os três filhos voltaram para casa em bom estado de saúde. (Foto: Reprodução)

Uma bengalesa com dois úteros deu à luz dois gêmeos saudáveis 26 dias após o nascimento prematuro de outro bebê – anunciaram os médicos. Arifa Sultana, de 20 anos, deu à luz no mês passado um menino, mas os médicos não detectaram a presença de um segundo útero.

“Não perceberam que ainda estava grávida de gêmeos. A bolsa estourou novamente 26 dias depois do nascimento do primeiro bebê e ela veio correndo”, afirmou à agência de notícias AFP Sheila Poddar, a ginecologista que atendeu a jovem.

A médica fez uma cesárea de emergência para os gêmeos, um menino e uma menina, que nasceram saudáveis na sexta-feira (22). A mulher, que mora no distrito de Jessore, no Sudoeste de Bangladesh, voltou para casa na terça-feira (26) com os três bebês.

“Nunca havia visto um caso assim em mais de 30 anos de carreira médica”, declarou à AFP o secretário de Saúde de Jessore, Dilip Roy, que criticou os médicos do hospital Khulna Medical College que não detectaram a segunda gravidez.

A mulher e o marido vivem com uma renda mensal de o equivalente a R$ 270. Sumon, o pai dos bebês, mostrou-se preocupado em como vai criar as crianças, mas afirmou: “Foi um milagre de Alá que os meus três filhos tenham saúde. Farei o meu melhor para deixá-los felizes”.

Desafio

Olga Singo, da cidade de Bulawayo, no Zimbábue, é uma das poucas mulheres que deu à luz por cesariana em todo o continente no ano passado. “Não foi planejado. Veio como uma emergência. Disseram-me que meu bebê era grande e que não tinha condições de parir. Eu estava com tanto medo que pensei que ia morrer porque não tinha informações suficientes sobre a cirurgia”, disse ela à emissora norte-americana CNN.

Apesar de a pequena Charlene ter nascido com poucas complicações, o medo de Olga faz muito sentido, de acordo com um novo estudo, publicado na revista Lancet Global Health. O African Surgical Outcomes Study mediu os resultados de todas as pacientes que fizeram esse tipo de cirurgia durante um período de sete dias entre fevereiro e maio de 2016. Ao todo, foram analisadas 3.684 mulheres que tiveram cesáreas eletivas e não eletivas, e dados de 183 hospitais em 22 países da África.

Os pesquisadores notaram que a taxa de mortalidade materna nos países africanos era “substancialmente maior que o esperado”: 5,43 mortes por mil operações, em comparação com 0,1 mortes por mil operações no Reino Unido. Além disso, uma em cada 6 mulheres africanas tiveram complicações durante a cesariana, três vezes a taxa dos Estados Unidos. Ou seja, as mães africanas que dão à luz por cesariana têm 50 vezes mais probabilidades de morrer após o procedimento do que as mulheres que vivem em países de alta renda.

Mas por que isso acontece? Segundo Bruce Biccard, anestesista e professor da Universidade da Cidade do Cabo, que liderou a pesquisa, isso se deve, primeiro, ao fato de as mães na África subsaariana serem menos propensas a dar à luz por cesariana do que em outras partes do mundo. Em segundo lugar, entram as condições dos hospitais e procedimentos médicos. “As mulheres não têm acesso fácil aos cuidados e, quando o fazem, acabam em um centro de saúde muitas vezes inadequado”, diz.

Para Biccard, é de extrema importância aumentar o acesso ao procedimento em paralelo à melhoria da segurança das cesarianas na África, além da assistência cirúrgica, obstétrica e anestésica. “Paradoxalmente, enquanto muitos países pretendem reduzir a taxa de cesariana, aumentar a taxa dessa cirurgia continua sendo uma prioridade na África. Lá, a estatística está em 3,5%, apesar de um padrão crescente nas taxas globalmente”, explica. O estudo constatou que havia uma média de 0,7 especialistas por 100 mil pessoas nos países em estudo, enquanto o ideal é de pelo menos 22 por 100 mil pessoas para um padrão mínimo seguro.

O estudo tinha algumas limitações, observaram os autores, com um número desproporcional de hospitais participantes, em vez de hospitais distritais, que atuam como prestadores de cuidados de primeiro nível para a maioria das mulheres africanas e, normalmente, têm menos recursos. Além disso, dois terços dos pacientes eram de países de renda média, onde melhores níveis de atendimento estão disponíveis do que nos países mais pobres da África.

“A verdadeira morbidade e mortalidade após cesariana no continente é, portanto, provavelmente maior do que o relatado”, explica Anna Dare, do Centro de Pesquisa em Saúde Global do Hospital St. Michael e do Departamento de Cirurgia da Universidade de Toronto.

“Tornar o parto mais seguro para as mães africanas exigirá esforços dedicados para tornar a cesariana muito mais segura também. Essa melhoria na segurança deve ocorrer enquanto se esforça para evitar o uso excessivo de cesariana, com o qual muitos outros países estão lutando”, completa.

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