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Você faz exercício físico e ainda assim não emagrece? A ciência explica

A corrida ficou em primeiro lugar porque teve impacto em três marcadores. (Foto: Divulgação)

Você aderiu a exercícios, mas os dígitos da balança não mudaram? Saiba que tem uma explicação para isso. Segundo a ciência, pessoas com sobrepeso ou obesidade tendem a ter comer mais após a prática física. Este hábito limita as calorias perdidas nos exercícios, pois elas são ingeridas novamente por um pensamento compensatório (como, por exemplo, “já que queimei calorias, posso comer um chocolate agora”).

Como foi feito o estudo

Publicada na revista The American Journal of Clinical Nutrition, a pesquisa reuniu 171 participantes entre 18 e 65 anos com sobrepeso ou obesidade.

Durante seis meses, os pesquisadores analisaram a frequência de atividades físicas dos voluntários, suas taxas de consumo de calorias e de metabolismo.

Ainda, os participantes foram divididos em três grupos: Grupo 1: rotina sem exercícios; Grupo 2: rotina de exercícios supervisionados, com gasto calórico semanal de 700 kcal, e Grupo 3: rotina de exercícios supervisionados, com gasto calórico semanal de 1.600 kcal.

Todos os voluntários, de quaisquer grupos, podiam se alimentar como bem desejassem.

Resultados

Os participantes que praticaram exercícios não tiveram mudanças significativas quanto a emagrecer. Isso porque eles tinham mais apetite, ingerindo até 125 kcal a mais por dia após as atividades físicas.

Apesar de sentirem mais fome, não optaram por refeições mais saudáveis. Afinal, os cientistas identificaram um “pensamento compensatório”. Ou seja, por praticarem exercícios, as pessoas se sentiam no direito de comerem alimentos não-saudáveis.

Com uma maior ingestão de calorias e com este pensamento de recompensa, o peso dos participantes não diminuiu. Apenas os voluntários que não tiveram este pensamento de recompensa cumpriram a meta de emagrecer.

Portanto, se você deseja emagrecer, a dica é alinhar uma rotina de exercícios com refeições saudáveis. Somente a prática física, mas ainda mantendo uma alimentação não-balanceada, fará com que você não perda gordura e possa se frustrar com os resultados não alcançados.

Excesso

Atletas de elite costumam apresentar queda no rendimento quando submetidos a um treinamento muito intenso, sem período adequado de recuperação. O quadro é conhecido como síndrome do overtraining e pode incluir sintomas como perda de apetite e de peso, insônia, irritabilidade, queda na imunidade e depressão.

A explicação mais aceita para o fenômeno, até o momento, é a de que lesões no tecido musculoesquelético causadas pelo exercício excessivo induziriam a liberação na corrente sanguínea de substâncias pró-inflamatórias (proteínas produzidas por células de defesa e conhecidas como citocinas), que desencadeariam os efeitos sistêmicos. A teoria das citocinas, como ficou conhecida, foi formulada há duas décadas.

Recentemente, uma série de estudos conduzidos na Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, demonstrou que as consequências do overtraining para o organismo vão muito além da queda no rendimento esportivo, havendo efeitos prejudiciais no tecido musculoesquelético, coração, fígado e sistema nervoso central.

Além disso, os resultados obtidos nos experimentos com camundongos contrariam a hipótese de que as citocinas pró-inflamatórias seriam o único fator responsável pela queda na performance, que, nos animais, se manteve prejudicada mesmo depois que o nível dessas substâncias no sangue se normalizou.

As pesquisas vêm sendo conduzidas nos últimos 10 anos, com apoio da FAPESP, sob a coordenação do professor Adelino Sanchez Ramos da Silva, da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP-USP). Os principais resultados foram reunidos em um artigo publicado na revista Cytokine, que reúne também dados de estudos feitos por outros grupos de pesquisa.

Diferentes protocolos de overtraining – corrida no plano, na subida e na descida – foram testados em camundongos pela equipe de Silva com o objetivo de entender a ação das citocinas pró-inflamatórias induzidas pelo exercício físico excessivo em diferentes tecidos. Em todos os casos, a duração do treino foi de oito semanas – sendo as quatro primeiras uma fase de adaptação.

Os três diferentes protocolos de overtraining induziram um aumento no nível de três citocinas pró-inflamatórias no soro sanguíneo: interleucina-1-beta (IL-1β), interleucina-6 (IL-6) e fator de necrose tumoral alfa (TNF-α). O aumento das moléculas pró-inflamatórias também foi observado no tecido musculoesquelético, com efeitos variados nos três protocolos.