Segunda-feira, 24 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 9 de julho de 2018
O número de cirurgias bariátricas realizadas no Brasil no ano passado chegou a 105,6 mil, o que representa um crescimento de 47% em relação ao ano de 2012, quando foram feitos 72 mil procedimentos. Os dados são da SBCBM (Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica).
O aumento ocorreu principalmente no setor privado, mas no SUS (Sistema Único de Saúde), que faz 9,8% do total desse tipo de operação, também houve crescimento: 16,8% em relação ao último ano e 224% em relação a 2008, segundo o Ministério da Saúde.
No Brasil, quase uma em cada cinco pessoas adultas é obesa (18,9%). O índice é 60% maior do que o do início da série histórica, em 2006, mas, depois de sucessivos crescimentos, parece ter estagnado nos últimos três anos, de acordo com a pesquisa Vigitel, do Ministério da Saúde. Já o sobrepeso atinge 53,8% da população que vive nas capitais. Há 12 anos, esse índice era de 42,6% – homens são os mais atingidos.
É considerado obeso quem tem o IMC (índice de massa corpórea), calculado com o peso e altura da pessoa, maior que 40. A cirurgia bariátrica pode ser indicada em casos com IMC a partir de 30 (sobrepeso), a depender da gravidade das doenças relacionadas. Pelas estimativas da SBCBM, 5 milhões de brasileiros atenderiam aos requisitos para passar por algum tipo de cirurgia bariátrica, que altera o caminho natural do alimento no trato gastrointestinal, permitindo que o corpo absorva menos energia dos alimentos, além de promover alterações hormonais que favorecem a correção do diabetes e da obesidade.
Em uma conta simples, sem levar em consideração mortes e novas indicações e considerando a estimativa de serem cerca de mil os cirurgiões habilitados a fazer as bariátricas, levaria mais de 13 anos para essa fila ser zerada – isso considerando que eles fizessem uma operação por dia.
Tendo em vista todo esse cenário, segundo o presidente da SBCBM, o cirurgião Caetano Marchesini, o crescimento poderia ter sido ainda maior se não fosse pela crise econômica. Outro fator que, segundo o médico, impediu um crescimento mais expressivo, é a demora de atualização das normas da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), que regula os planos de saúde.
A autarquia, afirma Marchesini, ainda não considera em suas diretrizes as indicações da cirurgia bariátrica para quem tem cerca de 20 doenças associadas à obesidade (problemas de coluna, apneia, colesterol alto, entre outros) e para quem tem diabetes grave mas não é obeso.
Apesar da estagnação do crescimento da população com sobrepeso e obesidade nos últimos três anos, a taxa ainda é alta e preocupa especialistas e o governo. “Nós nunca vamos dar conta de operar todos que precisam”, disse o cirurgião Ricardo Cohen. Apesar disso, segundo ele, há muitos profissionais subutilizados e seria possível oferecer o tratamento para mais pessoas. Há, no entanto, um problema no cálculo da SBCBM de pessoas que precisariam da cirurgia bariátrica, conforme o professor de endocrinologia Bruno Geloneze.
“Para indicar a cirurgia, é necessário, além de estar em uma faixa de peso ou de ter determinadas doenças, haver uma falência do tratamento clínico por dois anos. Talvez menos de 1% desses 5 milhões seja de fato apto. O grande problema é que a cirurgia cresceu no índice de massa corporal mais baixa, faixa na qual o tratamento clínico tem mais chance de funcionar.”
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