Quinta-feira, 09 de Julho de 2020

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Brasil 39% dos brasileiros já pediram “nome emprestado” para fazer compras

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À medida que o uso de cartão no ambiente virtual cresce, as tentativas de fraude seguem o mesmo ritmo. (Foto: Reprodução)

Os brasileiros sempre dão “um jeitinho” na hora de comprar os produtos que desejam e 39% dos consumidores já adquiriram produtos e serviços pedindo “emprestado” o nome de terceiros. As modalidades mais utilizadas para a prática são cartão de crédito (26%), cartão de loja (9%) e crediário (9%). Essa ajuda é solicitada principalmente para comprar roupas, calçados e acessórios, seguidos dos celulares e eletrônicos em geral. Os dados são de uma pesquisa do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) e da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas).

Segundo os entrevistados, os principais motivos para o empréstimo de nome foram os imprevistos (27%) e já estar com o nome sujo (25%). As principais pessoas que costumam emprestar cartões e assumir crediários são os pais (27%), o cônjuge (22%) e os irmãos (19%). A maioria dos entrevistados (85%) garantem ter avisado o quanto seria gasto antes de pedir o crédito, porém, 8% não informaram.

Nove em cada dez entrevistados que pediram o nome de alguém emprestado já pagaram ou estão pagando a dívida em dia. Ainda de acordo com a pesquisa, apenas 19% dos clientes tiveram alguma dificuldade imposta pelas lojas para fazer a compra no nome de outra pessoa.

Para a economista do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), Ione Amorim, a prática de emprestar o nome é bem polêmica, pois muitas vezes, além da relação monetária envolve a questão da confiança, vínculo de parentesco e afetivo.

“Isso dificulta a pessoa que está sendo requisitada a dizer que não irá emprestar o nome ou o cartão de crédito. O constrangimento e o medo de fragilizar a relação acabam sendo o fator de decisão, um aspecto emocional que não avalia os riscos. De acordo com a pesquisa é possível observar como esse processo é forte, porque se fosse racional, a pessoa que emprestou pensaria nas condições que o solicitante já apresenta, como nome sujo e incapacidade de pagamento e o potencial risco de não ter condições de pagar.”

Sobre o imprevisto, a economista do Idec afirma que seria justificável se fosse pagar uma despesa vinculada a sobrevivência como alimento, medicamento, um aluguel em atraso para evitar uma multa, um descontrole pontual. Mas, como indicado no estudo, comprar roupas, calçados, celulares e eletrônicos não são necessidades básicas e urgentes.

Ione aconselha que, para não ficar em uma situação de constrangimento em dizer não, a pessoa deve expor esse raciocínio e ser firme ao dizer que não terá condições de assumir com aquela dívida, caso a pessoa que pediu o nome ou o cartão emprestado não consiga pagar:

“Pode ser que a relação fique afetada temporariamente, mas se for amigo de verdade irá superar. Se não tiver coragem de dizer não, e o outro não pagar, a relação ficará muito pior e com dívidas.”

Outro lado

Uma pesquisa divulgada em abril deste ano, também pelo SPC Brasil e CNDL, mostra que muitos amigos e parentes acabam prejudicados pela prática, já que 17% dos consumidores inadimplentes ficaram com o nome sujo após emprestarem dados, cartões ou cheques para terceiros. Em média, os consumidores que tiveram que arcar com a dívidas feitas em seu nome gastaram R$ 1.215,24 para honrar os compromissos.

O levantamento mostrou que a principal justificativa de quem não devolveu a quantia que pegou emprestado é a falta de dinheiro, usada por 33% das pessoas. Além disso, em 19% dos casos, a pessoa desapareceu e não tem como ser cobrada. A relação pessoal ficou abalada em pelo menos 69% desses casos. (AG)

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