Segunda-feira, 13 de abril de 2026
Por Redação O Sul | 21 de maio de 2015
A violência contra a mulher é assunto em alta nos últimos anos, mas nem por isso o tema deixou de ser tabu. Uma nova pesquisa mostra que 90% das mulheres, entre 14 e 24 anos, que vivem nas periferias brasileiras afirmam ter deixado de frequentar espaços públicos e de usar determinadas roupas por medo da violência. O levantamento foi realizado pela Agência Énois – Inteligência Jovem, em parceria com os institutos Vladimir Herzog e Patrícia Galvão. Foram ouvidas 2.285 mulheres de 370 cidades do País. Os dados motivaram as instituições a lançar a campanha #meninapodetudo.
“O que mais chamou atenção é que, apesar de todas as mudanças nas últimas décadas, a gente ainda ensina no ambiente familiar e na escola que existem coisas que são só de meninos e outras só de meninas. A educação ainda é muito machista”, explica Érica Teruel Guerra, coordenadora da pesquisa e educadora da agência.
A palavra “rua” foi a mais citada nas respostas sobre como a violência aparece no dia a dia das mulheres. O espaço público é visto, pela maior parte das entrevistadas, como um local em que não há segurança ou respeito: 94% delas já foram assediadas verbalmente e 77%, fisicamente, como a “encoxada” no transporte público ou o beijo forçado e a passada de mão em casas noturnas.
“As meninas crescem ouvindo que a rua não é lugar delas, que não podem sair em determinados horários, que não podem usar tais roupas. Então, certamente, a menina não vai se sentir à vontade tal qual o menino, que é incentivado desde criança a brincar na rua”, afirma Érica.
O levantamento mostra ainda que quase 80% das entrevistadas acreditam que o machismo afetou seu desenvolvimento. A campanha #meninapodetudo divulgará vídeos educativos produzidos com base nos dados da pesquisa.
Educação.
Segundo a representante da ONU (Organização das Nações Unidas) Mulheres no Brasil, Nadine Gasman, uma em cada três mulheres já sofreu violência física ou sexual no mundo.
“A violência contra mulheres e meninas tem solução. Para isso, precisamos mudar nossos valores e fazer valer os direitos humanos de todos e de todas e discutir as causas disso. E não só no Brasil, é um problema de todo o mundo. A educação de meninos e meninas é fundamental para essa mudança, para que o papel do homem e da mulher não seja construído de maneira desigual, dando predominância para os homens”, diz Nadine. (AG)
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