Quarta-feira, 21 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 2 de março de 2021
Uma das mais tradicionais casas de saúde de Porto Alegre, o Hospital Moinhos de Vento alugou um contêiner refrigerado para ser utilizado para o armazenamento temporário de corpos. A instalação ficará em espaço anexo ao prédio da instituição, que no momento enfrenta mais de 100% de ocupação dos leitos de UTI, em meio à crise sanitária da pandemia de coronavírus.
A medida faz parte de uma nova etapa do plano de crise elaborado pelo comitê de enfrentamento à Covid, criado pela direção do hospital no primeiro semestre do ano passado. De acordo com o colegiado, o necrotério local comporta até três mortos e está adequado ao porte do Moinhos de Vento e às condições sanitárias previstas em situações de normalidade.
Por meio de um comunicado distribuído à imprensa nesta terça-feira (2), a instituição ressalvou tratar-se de uma medida de precaução e que leva em conta situações observadas no contexto da pandemia em outras metrópoles:
“A estrutura será utilizada somente em caso de real necessidade, considerando a possibilidade de atrasos na retirada dos óbitos por parte das funerárias, realidade essa percebida em outras cidades do Brasil e do mundo.
Há um ano, a instituição tem aplicado medidas e adaptado rotinas para garantir a qualidade do atendimento e a segurança a profissionais e pacientes. Também abriu leitos de terapia intensiva de retaguarda e fechou a tenda de atendimento a pacientes com suspeita de contágio por coronavírus, direcionando para o setor de emergência.
Também, limitou a transferência de pacientes que necessitam de leitos no Centro de Terapia Intensiva. Os esforços são voltados a proporcionar o suporte necessário para ocasionar os melhores desfechos possíveis.
Ainda conforme o hospital Moinhos de Vento, as pessoas com menos de 60 anos de idade correspondem a 35% dos pacientes internados, o que é um sinal de alerta para que a população mais jovem redobre os cuidados.
“O momento atual registra os índices mais altos de internações e agravamento dos casos, gerando potencial crescimento no número de óbitos”, ressalta.
No mesmo comunicado, a instituição reforça o apelo à comunidade para que atente às normas de proteção: “É fundamental que todos sigam as orientações das autoridades sanitárias, utilizando máscara em todos os momentos e higienizando as mãos e os ambientes de contato”.
Também reitera os pedidos de autoridades e especialistas para que sejam evitadas ao máximo aglomerações e circulações desnecessárias, mantendo sempre o distanciamento social, principalmente neste momento crítico.
Governo gaúcho
O aluguel de contêineres refrigerados com essa finalidade, porém, não representa uma novidade no Rio Grande do Sul. E nem o Hospital Moinhos de Vento é o primeiro a fazer isso em âmbito gaúcho. No início do segundo semestre de 2020, o próprio governo do Estado recorreu ao aluguel de oito estruturas desse tipo, que acabaram devolvidas sem uso.
Mas agora o cenário é outro, de extremo agravamento da situação epidemiológica. Com isso, o Executivo já está providenciando orçamentos para retomar essa estratégia, ainda que em menor quantidade, a fim de reforçar as opções de armazenamento de cadáveres por parte das unidades do Departamento Médico-Legal (DML) de Porto Alegre e Interior.
E a exemplo do que foi decido pelo Moinhos de Vento, trata-se de uma medida preventiva, para uma situação ainda mais extrema: o eventual esgotamento da capacidade de atendimento à demanda por parte das empresas do segmento funerário, em uma via de mão-dupla com o risco de superlotação dos morgues e necrotérios.
(Marcello Campos)
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