Quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
Por Redação O Sul | 16 de março de 2021
Durante evento transmitido nas redes sociais nesta terçã-feira (16), a Secretaria Estadual da Saúde (SES) detalhou o perfil atual dos infectados pelo coronavírus no Rio Grande do Sul. Também trouxe dados sobre a propagação de suas variantes no Estado e alertou para aspectos como a expansão da Covid entre os jovens no atual momento.
Especialistas do Gabinete de Crise têm analisado os indicadores e afirmam que há um número maior de infectados nesse segmento populacional. Isso possivelmente acontece porque há uma parcela maior da população contaminada, uma vez que o coronavírus está circulando mais.
No enfrentamento à pandemia, essa aceleração de propagação do vírus é o que mais preocupa junto ao fato de jovens não serem considerados grupo de risco, o que pode acabar levando a um relaxamento nas medidas de prevenção e aumento da transmissão.
A estatística tem por base a quarta edição do “Boletim Genômico do Coronavírus no RS”, divulgado quinzenalmente pelo Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs). O estudo leva em conta a análise de pacientes hospitalizados, determinando quais as linhagens mais frequentes distribuídas no mapa.
Isso é essencial para a compreensão do avanço da pandemia e para guiar as medidas de controle da doença a serem adotadas pelo Gabinete de Crise, além de combater notícias falsas.
Foram consideradas 478 amostras colhidas entre 23 de fevereiro e 9 de março em 117 municípios de todas as regiões geográficas, em diferentes grupos etários, incluindo pacientes internados ou não, além de considerar os atuais indicadores epidemiológicos. A partir de sequenciamento genômico, foram identificadas 20 diferentes linhagens de coronavírus em circulação no Estado.
O especialista em Saúde Richard Salvato, do Laboratório Central (Lacen), aproveitou para alertar que indivíduos já contaminados anteriormente pelo coronavírus não podem se considerar imunes:
“Tivemos casos em que a quantidade de anticorpos diminuiu. As reinfecções ocorrem, independentemente de variantes. Então é preciso manter os cuidados. A solução é a vacina combinada à manutenção das medidas de distanciamento”.
Além de Salvato, participaram da elaboração do documento a diretora do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), Cynthia Molina-Bastos, o farmacêutico Eduardo Viegas da Silva, da Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual da Saúde (SES).
Preocupação
Apesar do aumento no número de linhagens circulantes, poucas são as que causam preocupação quanto a alterações no comportamento do vírus.
O motivo maior de apreensão é o surgimento de variantes que abrigam maior número maior de mutações em uma proteína chamada “Spike”, sobretudo após a recente identificação de duas cepas, uma no Reino Unido (já detectada em outros Estados brasileiros) e outra na África do Sul, ainda não identificada no Brasil.
No País, a epidemia ocorreu a partir de duas linhagens, denominadas “B.1.1.28” e “B.1.1.33”, provavelmente surgidas em fevereiro de 2020. As variantes “P1” e “P2”, mais frequentes no “4ª Boletim Genômico do RS”, são as que mais preocupam atualmente, porque vão dominando ao serem mais rápidas.
“Se circulam mais rápido, também começam a gerar novas mutações mais rapidamente. O que nos preocupa atualmente é a “P1”, mas a predominância nestes vírus que estão aqui não tem relação com os pacientes que vieram do Norte brasileiro para receberem atendidos em hospitais gaúchos”, ressalvou Cynthia.
A “P1” é associada à explosão de casos de Covid em Manaus (AM), pela alta capacidade de reprodução e transmissibilidade. No entanto, um registro detectado em Gramado (Serra Gaúcha) ocorreu em 14 de janeiro de 2021, dez dias antes de os primeiros pacientes do Norte do País chegarem ao Rio Grande do Sul.
Já a “P2”, identificada originalmente no Rio de Janeiro, carrega a mutação “E484K” no ponto de ligação do receptor da proteína “Spike”. Além disso, é agora uma das versões mais frequentes da Covid no Rio Grande do Sul, principalmente desde novembro.
(Marcello Campos)
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