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Geral Campanhas publicitárias alertam para golpes: ataques pela internet ou telefone cresceram 950% em 2021

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Lideranças da Casa decidiram articular um novo projeto de regulamentação das redes sociais. (Foto: Reprodução)

Os principais bancos com operações no Brasil voltaram à mídia, mas desta vez as campanhas no ar não oferecem produtos ou serviços e, sim, dicas de como evitar cair em golpes, especialmente na modalidade que mais cresce no Brasil e no mundo: os cibercrimes. Em 2019, os cibercrimes caíram 65% em relação a 2018. No entanto, como um dos efeitos colaterais da pandemia de covid-19, que empurrou boa parte do planeta para o ambiente virtual, ataques pela internet ou pelo telefone cresceram inacreditáveis 950% em 2021, na comparação com o ano anterior, segundo levantamento da Storm Group, empresa de segurança digital.

“É difícil precisar, mas diria que só em golpes pelo WhatsApp, o crime movimente pelo menos R$ 50 milhões por ano no Brasil”, calcula o fundador da Storm Group, Wanderley Abreu Júnior. O executivo presta consultoria em segurança digital para grandes empresas e trabalha para a agência espacial americana, a Nasa – até participou do projeto que colocou o telescópio James Webb em Marte.

Individualmente, os bancos não revelam quanto investem em prevenção, nem quanto o cibercrime movimenta no País, mas a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) informa que cerca de R$ 35 bilhões são destinados, anualmente, para inovações tecnológicas e algo próximo a 10% deste valor vai para a cibersegurança. Em 2020, os bancos com operações no Brasil inauguraram o Laboratório de Segurança Cibernética, exatamente para o compartilhamento de informações técnicas entre eles e também com a polícia.

O delegado Carlos Afonso Gonçalves da Silva, da Divisão de Crimes Cibernéticos da Polícia Civil de São Paulo, reconhece a importâncias das campanhas publicitárias porque, diz ele, 90% dos golpes poderiam ser evitados se os clientes seguissem as recomendações das instituições financeiras, como não clicar em links enviados por e-mails, não passar senhas e informações sigilosas para falsas centrais telefônicas, entre outros. Silva revela que as ações mais incisivas contra a criminalidade se dão nos bastidores.

“O sistema financeiro brasileiro é bem estruturado e as equipes de segurança conversam entre si e a polícia”, diz o delegado. “São várias camadas de segurança. Uma delas é a tecnologia, a outra é a conscientização do consumidor. E o brasileiro médio tem baixa maturidade de segurança digital”, afirma Bruno Ribeiro da Fonseca, diretor de segurança do Bradesco – no ar, atualmente, com a campanha ‘quem conhece o golpe, não cai em cilada’, assinada pela agência Aldeiah.

Fonseca revela que a decisão de levar a publicidade ao ar foi precedida de muito debate interno, pois havia receio de exposição da marca ou mesmo se a campanha não estaria ensinando os golpes para eventuais criminosos. “Mas o bandido já sabe, quem precisa ser alertado é o cliente”, completa.

No Santander, cuja campanha está concentrada nas mídias digitais, a estrela das peças é o ator Ary Fontoura, de 90 anos de idade, que se tornou um badalado influencer digital no auge da pandemia. “Não quer dizer, porém, que os idosos sejam mais ou menos vulneráveis que o público de outras faixas etárias”, afirma Richard Flávio da Silva, head de cybersecutity e antifraude do banco espanhol.

“Dependendo do momento e do ambiente virtual onde o cliente está, o nível de fraudes é tão elevado que todo mundo está sujeito. E há um tipo de crime para cada perfil de público”, diz. É por isso que o time dedicado à segurança no Santander tem desde profissionais muito técnicos, com certificados em padrões internacionais, como engenheiros e cientistas de dados, até hackers éticos e especialistas em comportamento humano.

O Banco do Brasil, que está com a campanha “Desconfiou que é Golpe? Procure o BB”, assinada pela Lew’Lara/TBWA, lembra que sete em cada dez golpes não miram a segurança dos sistemas, mas o cliente final, de acordo com dados da Febraban. “Portanto, é cada vez mais importante que as pessoas estejam atentas para identificar rapidamente qualquer tentativa de golpe”, pontua o BB, por meio de nota.

O Brasil ocupa hoje a segunda posição no ranking dos países latino-americanos com o maior número de ataques, só perde para o México, que tem estimados 187 milhões de ataques, contra 103,1 milhões de ataques por ano realizados aqui. Este número, porém, tende a crescer. “Os crimes digitais, especialmente os aplicados por WhatsApp, são o novo cangaço. São mais rentáveis e muito mais seguros para quem aplica”, avisa Storm. As informações são do jornal Valor Econômico.

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