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Mundo Com poderes ampliados, agentes da polícia anti-imigração de Trump espalham terror

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Governo brasileiro se queixou de portas fechadas para negociação com Trump. (Foto: Daniel Torok/The White House)

As revistas semanais francesas analisam o governo Donald Trump sob várias facetas, destacando especialmente seu impacto sobre a política migratória e as relações internacionais. A revista L’Express chama atenção para as ações da polícia de imigração americana, a ICE (Immigration and Customs Enforcement). Criada após os atentados de 11 de setembro, a agência passou a operar com poderes ampliados durante o segundo mandato de Trump, refletindo uma radicalização das políticas migratórias.

Segundo a publicação, os agentes da ICE podem agir mascarados, sem qualquer tipo de identificação ou uniforme oficial. Além disso, têm permissão para atuar sem mandado judicial, inclusive em ambientes sensíveis como escolas, hospitais e locais de culto. Também receberam autorização total para se defenderem de manifestantes, o que tem levantado críticas sobre o uso excessivo da força.

As táticas da ICE são descritas como “militares” e “agressivas”, comparáveis às de uma “polícia secreta” que faz pessoas “desaparecerem”. A revista cita uma série de episódios que reforçam essa imagem, como a invasão a um restaurante em San Diego com uso de gás lacrimogêneo e a prisão arbitrária de um requerente de asilo da Guatemala, cujo carro teve os vidros quebrados com uma marreta. Outro caso citado foi o de um jardineiro mexicano, agredido violentamente, embora seus três filhos sirvam no exército americano.

A expansão da ICE reflete a prioridade dada por Trump ao combate à imigração. Uma lei fiscal recentemente aprovada destinará cerca de US$ 170 bilhões à agência nos próximos quatro anos, o que a tornará a maior força policial do país. Isso permitirá a duplicação da capacidade dos centros de detenção e a contratação de 10 mil novos agentes, o que preocupa especialistas em direitos humanos.

Apesar de 54% da população americana considerar que a ICE “vai longe demais”, a Suprema Corte, atualmente com maioria conservadora e alinhada ao governo, tem consistentemente apoiado a administração Trump em suas decisões.

Já a revista Nouvel Obs explica, em editorial, que a Europa se depara com um verdadeiro “enigma Trump” e que existe uma “via estreita” para lidar com seu retorno ao poder. Líderes europeus seguem divididos e ainda buscam uma estratégia entre a “resistência” e o “acomodamento”, com o objetivo de salvar a histórica aliança com Washington sem ceder completamente aos interesses americanos.

Por fim, Le Point argumenta em editorial que as novas propostas de Donald Trump para impor tarifas alfandegárias de 25% sobre produtos europeus, a partir de 1º de agosto, não se tratam apenas de uma manobra comercial. A revista afirma que essa medida representa um verdadeiro ato de guerra comercial contra a Europa, com o objetivo explícito de “enfraquecer e, eventualmente, desmantelar a União Europeia”. (Com informações da RFI)

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