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Variedades Jogos de tabuleiro viram febre pelo país como antídoto contra a epidemia de telas

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Jogos de tabuleiro ainda têm espaço nos momentos de lazer. (Foto: Reprodução)

Em vez das telas, dados, cartas, ampulhetas e afins. Os problemas causados pelo excesso do uso de tecnologia e de redes sociais têm levado brasileiros a recuperarem o gosto por atividades analógicas, que os ajudem a desconectar. O fenômeno vem contribuindo para a reabilitação dos jogos de tabuleiro, deixados de lado com a expansão digital, que voltam à cena como opções de entretenimento, sociabilidade e até de tratamentos psicológicos.

Os jogos ajudam a desligar o celular, mas esse não é o único benefício. O psicólogo Manoel Acioli, fundador da RPG Terapia e especialista em terapias cognitivo-comportamentais gamificadas, explica que há uma ativação neurológica durante a prática:

“Muda o tipo de estímulo que o cérebro recebe. As telas ativam um sistema de recompensa rápida, com picos constantes de dopamina, que tendem a deixar o cérebro impulsivo e menos tolerante à frustração. Os jogos analógicos ativam a região responsável por atenção, planejamento, controle emocional e tomada de decisão”, explica.

Influenciador digital especializado no “mundo game”, Nicholas Vicente Oliveira, conhecido nas redes como Nick, afirma que é difícil definir quais os melhores jogos, ou mesmo os mais populares do país, por conta da gigantesca variedade. Um ranking do gênero, segundo ele, dependeria do estilo dos jogadores e da habilidade prévia da pessoa. Há segmentos para iniciantes, crianças, grupos, duplas, para festas e até mesmo para quem quer jogar sozinho.

“Além da infinidade de jogos e temas que vão acabar nos conquistando, nada supera o sentimento de poder partilhar memórias e conhecer novas mecânicas, fora das telas, com aqueles que a gente ama”, assegura o influenciador, refutando a mística de que jogos de tabuleiro são todos iguais. “No Legacy, por exemplo, não existe sequer uma dinâmica previamente definida, você vai descobrindo regras conforme vai jogando, e isso pode fazer com que você modifique o tabuleiro permanentemente”, complementa.

Tempo de tela

Uma pesquisa da empresa britânica Proxyrack mostrou que os brasileiros ficam mais de nove horas por dia diante de telas, navegando na internet. Outro estudo, publicado recentemente na revista científica Neuropsychology Review, apontou que indivíduos com uso desordenado de telas têm desempenho cognitivo significativamente pior em comparação com outros.

Anna Lucia Spear King, psicóloga e doutora em saúde mental, que coordena a primeira pós-graduação em Dependência Digital da América Latina na Nonahub/Universidade Anhanguera, explica que a preocupação com o tempo de tela tem, de fato, aumentado.

“Houve um boom pela procura dessas tecnologias em um primeiro momento, principalmente nas gerações mais novas, que gerou um consumo descontrolado. Não houve uma preocupação voltada para a educação digital ou uso consciente. Mas a sociedade começou a perceber os prejuízos que o consumo desmedido traz, como o vício em jogos e em compras online, e vai buscar cada vez mais um uso responsável, aproveitando os benefícios que a tecnologia pode proporcionar”, prevê.

Luderias

A popularização traz a reboque o aumento no número das chamadas luderias – espaços que unem bar e restaurante ao passatempo – com eventos temáticos e até imersões para atrair jogadores pelo país.

No Rio Grande do Sul, Arthur Vargas, proprietário da loja de aluguel de jogos de tabuleiro HEX Boardgame, conta que os mais procurados pelos gaúchos são Coup, Azul e Dixit. Já no Pará, na Ludoteca Sidequest – que também oferecia apenas a locação de exemplares até expandir os negócios para um espaço físico –, os maiores sucessos são, mais uma vez, o Dixit e o Coup, além do Tapalavras.

Em Minas, o Dixit volta a aparecer como favorito no LudoCafé BH, seguido do Dobble e do Ticket to Ride. Onipresente nas listas, o Dixit é um jogo de dedução e criatividade, em que os participantes usam cartas com ilustrações para criar enigmas, frases ou sons, enquanto os outros tentam adivinhar o conteúdo sorteado pelo “narrador”.

Outro tipo de evento ligado a esse universo que tem crescido são as imersões. No Rio Grande do Sul, o encontro Jogaúcha reuniu 160 pessoas na cidade de Nova Petrópolis, interior do estado. Foram quatro dias hospedados todos no mesmo hotel, se intercalando nas mesas de jogos, em um verdadeiro mergulho offline. (As informações são do jornal O Globo)

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