Sábado, 09 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 8 de maio de 2026
O uso da inteligência artificial (IA) no rastreamento do câncer de mama tem reduzido diagnósticos tardios e ajudado a identificar tumores agressivos ainda em estágios iniciais.
Estudos recentes realizados na Suécia indicam que a tecnologia pode diminuir em 12% os chamados cânceres de intervalo, que surgem entre uma rodada de exames e outra. Os resultados fazem parte do estudo MASAI, conduzido pela Lund University, que acompanhou mais de 100 mil mulheres inseridas em programas de rastreamento mamográfico.
Em nota oficial da universidade, a pesquisadora Kristina Lang explica o que caracteriza esse tipo de tumor. Os cânceres de intervalo são diagnosticados no período entre um exame de rastreamento normal e a próxima rodada programada. Esses cânceres costumam ser mais agressivos e devem ocorrer no menor número possível.
Resultados
– Redução considerável de diagnósticos graves. Segundo os dados divulgados pela Universidade de Lund, o rastreamento com apoio de inteligência artificial levou a uma redução de 12% nos cânceres de intervalo em comparação ao método tradicional. Entre os tumores diagnosticados após o uso da tecnologia, também houve 16% menos cânceres invasivos, 19% menos tumores de grande porte e 27% menos subtipos agressivos.
– IA já se mostrava eficaz em relatórios anteriores do mesmo estudo. Os pesquisadores já haviam demonstrado que o uso da inteligência artificial permitiu detectar 29% mais casos de câncer de mama do que o rastreamento convencional. A maioria dos tumores identificados era de pequeno porte e sem comprometimento dos linfonodos, o que está associado a melhores prognósticos.
– Outro dado destacado no comunicado é o impacto operacional da tecnologia. Com o uso da inteligência artificial, a carga de leitura dos exames pelos radiologistas foi reduzida em 44%, sem aumento no número de falsos positivos.
Como a inteligência artificial atua
– O sistema de inteligência artificial analisa as imagens das mamografias e classifica o risco de câncer. Exames considerados de baixo risco são avaliados por um radiologista, enquanto os casos de maior risco passam por dupla leitura médica. A tecnologia também sinaliza áreas suspeitas para apoiar a análise clínica.
– Estratégia manteve a sensibilidade do rastreamento. Segundo a Universidade de Lund, a capacidade de detectar o câncer permaneceu, ao mesmo tempo em que tornou o processo mais eficiente.
– Muitas regiões da Suécia já começaram a implementar o rastreamento mamográfico com apoio de inteligência artificial, e outras devem aderir. “Na prática, basta integrar um software de IA aos sistemas de TI já existentes”, afirmou Lang, em nota da universidade.
– Os resultados do estudo repercutiram na imprensa internacional. Em reportagem do The Guardian, foi destacado que o uso da inteligência artificial levou a uma maior detecção de cânceres ainda na fase de rastreamento, com 81% dos casos identificados nesse estágio, ante 74% no grupo submetido apenas à leitura tradicional.
– Mesmo com os avanços, a presença humana segue essencial. “As mulheres que participam do rastreamento dizem que não querem a inteligência artificial como uma ferramenta isolada. Elas querem um ser humano envolvido no processo, e eu concordo com isso. É muito importante que seja uma ferramenta para os radiologistas”, declarou Lang à New Scientist.
– Projeções do ano passado estimam aumento de 38% anos casos de câncer de mama até 2050. Os dados, divulgados pela Iarc (Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer), mostram que deve-se chegar a aproximadamente 3,2 milhões de novos diagnósticos por ano, e o número de mortes associadas pode subir cerca de 68%, alcançando cerca de 1,1 milhão de óbitos anuais. As informações são do portal de notícias UOL.
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