Quinta-feira, 16 de julho de 2026
Por Carlos Roberto Schwartsmann | 16 de julho de 2026
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
O futebol gaúcho, o uruguaio e o argentino têm algo em comum: a garra e o brio.
Esta típica postura, identificada nas mais diversas competições esportivas, provavelmente tem origem na bravura e na resistência dos índios charruas, que lutaram contra os colonizadores espanhóis e portugueses antes da formação da República Cisplatina. Eles habitavam os pampas no norte da Argentina, Uruguai e sul do Brasil.
A peculiar garra do futebol gaúcho, parcial e lentamente, foi dissolvida ao longo dos anos pela importação de jogadores de outros Estados e de estrangeiros que jogam aqui mais pelo dinheiro do que pela camiseta.
Na Seleção Brasileira, apenas 7 dos 26 jogadores convocados continuam vivendo no nosso País. Os demais ganham muito dinheiro no exterior e esqueceram a identidade brasileira.
Uma das principais críticas dos torcedores e da imprensa contra a atuação da Seleção na Copa foi que faltou garra, espírito de luta e empenho. Correram pouco e faltou vigor dentro do campo.
O mau desempenho, provavelmente, é reflexo da desorganização da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Ela é mal administrada e está frequentemente envolvida em escândalos e denúncias de corrupção. É o reflexo do Brasil atual: inexistem justiça, moral e ética.
Fato vergonhoso maior foi registrado no retorno da nossa Seleção ao Brasil. Repercutiu nos principais jornais do mundo: “Avião do Brasil voltou para casa com apenas um jogador a bordo!”
No voo fretado de retorno, dos 26 jogadores selecionados, estava apenas o lateral Danilo.
A imprensa internacional, incrédula, criticou severamente a falta de comando e de lideranças. Ainda, faltou união e respeito aos brasileiros.
Os jogadores esqueceram que a relação da Seleção com a torcida é como um casamento.
Existe amor, brigas, desculpas e perdão.
No rito tradicional do matrimônio, os noivos repetem um para o outro: “Prometo amar-te e respeitar-te na alegria e na tristeza… até que a morte nos separe!”
Os jogadores não entenderam este ritual e simplesmente não apareceram. Não deram explicações nem entrevistas. Tampouco pediram desculpas pelo vexame.
Contudo, se nós tivéssemos ganhado a Copa, todos estariam no avião. Desembarcariam faceiros e felizes. Nos braços dos torcedores, desfilariam nos carros alegóricos nas principais capitais. Receber os louros da vitória é mais fácil do que receber as críticas do fracasso.
Infelizmente, fomos derrotados: faltou garra, camisa e comprometimento!
* Carlos Roberto Schwartsmann – médico e professor universitário
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
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