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Política “Ninguém diz o que vamos fazer”, afirma Lula na véspera do tarifaço

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Presidente publicou mensagem nas redes sociais em meio às novas taxas dos EUA sobre produtos brasileiros

Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (21) que “ninguém diz” o que o Brasil deve fazer. A declaração ocorreu na véspera das novas tarifas de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

“Hoje nada é mais sagrado do que a defesa da soberania nacional. Precisamos fazer com que o povo brasileiro sinta orgulho. Aqui nós erramos por nós. Acertamos por nós. E aqui ninguém diz o que vamos fazer. O Brasil não se entrega”, escreveu em publicação nas redes sociais.

As novas tarifas entram em vigor nesta quarta-feira (22). Com a medida, o Brasil passará a figurar entre os países mais taxados pelos Estados Unidos, ficando atrás apenas da China no ranking de nações mais afetadas pelas tarifas americanas.

De acordo com um levantamento internacional que analisa o comércio entre países, o Brasil ocupava a 13ª posição nesse ranking antes da nova tarifa. Com a entrada em vigor da medida, o país saltará para a segunda colocação, pelo menos até o dia 25 de julho, quando uma tarifa específica de 10% aplicada contra o Brasil deixará de valer conforme a legislação americana. A tarifa média cobrada dos chineses é atualmente de 27%, enquanto a nova taxa aplicada ao Brasil ficará um pouco acima dos 18%.

Origem e justificativas da medida

A aplicação da tarifa havia sido anunciada inicialmente em 1º de junho. Desde então, houve intensa mobilização do setor produtivo brasileiro e a realização de audiências públicas nos Estados Unidos, conduzidas pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos), responsável pela investigação com base na Seção 301 — trecho da legislação americana sobre comércio internacional que permite aos Estados Unidos implementar tarifas contra países quando identificam práticas comerciais consideradas injustas.

Entre as acusações que embasam a nova tarifa, os Estados Unidos citam a criação do Pix, que, segundo o governo americano, teria prejudicado o comércio de bandeiras de cartões de crédito americanas no Brasil.

Também é mencionado o desmatamento brasileiro, que, na visão americana, permitiria que os fazendeiros brasileiros operassem com custos menores do que os produtores americanos, que precisam seguir uma legislação ambiental mais rigorosa.

O governo brasileiro rebateu todas essas acusações, inclusive com dados: apontou que o desmatamento na Amazônia e no Cerrado vem diminuindo nos últimos anos, que as bandeiras americanas continuaram crescendo no Brasil durante o período de implementação do PIX, e que os Estados Unidos têm superávit na balança comercial com o Brasil.

Impactos esperados pelo setor produtivo

O setor produtivo brasileiro acompanha a situação com grande preocupação. Segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria), 20 dos 27 estados brasileiros já registraram queda nas exportações para os Estados Unidos no primeiro trimestre deste ano, e a tendência é de piora com a entrada em vigor da tarifa de 25%.

A entidade que representa a Câmara Americana de Comércio para o Brasil, a Amcham Brasil, estima que mais de US$ 11 bilhões em exportações brasileiras para os Estados Unidos podem ser afetadas — o equivalente a 26% de tudo que o Brasil vende ao mercado norte-americano.

A Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) alertou que o impacto vai além da venda direta para os americanos. Segundo a entidade, a nova tarifa aumenta a insegurança no comércio internacional, desestimula o planejamento de investimentos, reduz a competitividade das empresas e pode gerar consequências negativas sobre a produção e os empregos no Brasil.

Reação do governo brasileiro

Desde a confirmação das tarifas, na madrugada de quarta-feira (15) para quinta-feira (16) da semana passada, o governo brasileiro mudou de postura. Inicialmente, ainda durante a madrugada, chegou a falar em acionar imediatamente os mecanismos previstos na lei da reciprocidade econômica.

Ao longo do mesmo dia, o discurso foi sendo suavizado, com o governo passando a defender que a resposta seria estudada com cautela. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, chegou a afirmar que não se deve falar em retaliação, mas sim em reciprocidade, e que o assunto seria avaliado com calma.

O setor produtivo é contrário a qualquer tipo de medida retaliatória por parte do governo brasileiro, temendo que isso faça a situação escalonar ainda mais.

O próprio resultado da investigação do USTR indica que, se o Brasil retaliasse com tarifas contra produtos americanos, isso seria interpretado como sinal de que a tarifa extra de 25% não teria sido suficiente para fazer o país abandonar o que os americanos chamam de práticas comerciais abusivas.

Para os próximos dias, aguarda-se o início de novas reuniões entre o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e o setor produtivo, com o objetivo de definir tanto uma possível resposta do governo brasileiro quanto formas de apoio aos setores mais afetados pela nova tarifa.

 

 

 

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9 Comentários
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Box1
22 de julho de 2026 05:45

A grande maioria das empresas brasileiras já avisaram que são contra a retaliação em relação as tarifas impostas, o Molusco em vez de negociar continua soltando suas bravatas. O Brasil é soberano, o próprio governo já é campeão de taxar seu povo, não precisa dos EUA 🤭🤭

vanderlei stefani
21 de julho de 2026 22:31

Resumo do TARIFLAVIO: Brasil não se curvou

Rolldart
21 de julho de 2026 22:25

Os poucos empresário que se mantiverem no Brasil vão ter que sustentar esta carga tributária que vem por ai, e tentar novamente se superarem, até esta ameba e seu asseclas caírem na real… sem $$$ REAL não vivem, e vai faltar inclusive para migalhas do bolsa família que comem…

vanderlei stefani
21 de julho de 2026 22:14

“o Brasil é dos brasileiros, soberania não se negocia”

Fernando Krause
21 de julho de 2026 20:08

O crápula já entregou o Brasil ao comunismo Chinês.
Mitômano contumaz, o criminoso triplamente condenado por corrupção mente mais que o pai da mentira…

ochoavanderlei@gmail.com
21 de julho de 2026 17:40

ESTADISTA LULA defende os interesses do Brasil. A família bolsonaro, o interesse dos americanos . Ponto. Parabéns ESTADISTA LULA. Patriotismo real é isso mesmo.

vanderlei stefani
21 de julho de 2026 19:18

👏👏👏👏👏👏👏👏

César
21 de julho de 2026 17:07

Não interessa o que este COMEDOR de PACA quer. Interessa o que a Indústria quer. Vender pra China requer maior viagem, seguro, frete, desgaste, tempo.
Pro EUA, é menos viagem e recebe em DÓLAR não em YUAN.
A função do Presidente é administrar para TODOS e não para TODES (se não entenderam eu desenho).
O empresário continuará pagando os seus ALTOS IMPOSTOS pra sustentar a IMENSIDÃO de abonos e bolsas que Governo paga sem produzir um pacote de bolachas.

Caio Azevedo
21 de julho de 2026 17:15
Responder para  César

Perfeito!

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