Quinta-feira, 23 de julho de 2026
Por Carlos Roberto Schwartsmann | 22 de julho de 2026
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
Volto a escrever histórias sobre os homens de rua. Alguns, nem sempre morando na rua, se apresentam nas sinaleiras erguendo a placa: “Me ajude, estou com fome!”. Confesso que estes não me sensibilizam mais! Entretanto, aqueles que vasculham o lixo procurando algo para comer e amassando latas de refri para colocar nas sacolas pretas montam um cenário de partir o coração.
Semana passada, presenciei uma cena inesquecível. Um morador de rua tirou toda a sua roupa, menos a cueca rasgada. Começou a se banhar em plena calçada, recolhendo água da torneira de um jardim. Usava um copo de plástico para se banhar. Repetiu o ato muitas vezes.
A água escorria da cabeça até os pés. Incrédulo, ainda presenciei ele lavar suas roupas debaixo da torneira. Evidentemente, não tinha sabão. Estava frio, mas resistiu bravamente à baixa temperatura. Torceu as roupas molhadas e as colocou novamente sobre o corpo encharcado.
Provavelmente ficou aliviado de seu próprio cheiro. Estarrecidas, muitas pessoas assistiram à cena. Diante da perplexidade, alguns transeuntes lançaram frases críticas, mas outros, surpreendentemente, sorriam.
Outro dia, um sábado, caminhando sem destino, encontrei um mendigo vasculhando o lixo. Sempre que vou caminhar, levo no bolso notas de dois e cinco reais. Levo para distribuir aos desafortunados que encontro pelo caminho.
Me sinto aliviado quando faço isto e sempre lembro do imposto de renda!
Após cumprimentá-lo, abanei e entreguei uma nota de cinco reais. Mal-encarado, pegou o papel, rasgou-o em vários pedaços e, jogando-os no lixo, me respondeu: “Não aceito esmolas!”. Desconcertado, não retruquei e me afastei.
Continuei caminhando triste e desapontado. O gesto me magoou profundamente. A grande maioria sorri e diz: “Deus lhe abençoe”.
Provavelmente existem dezenas de relatos sobre estes homens que vivem na rua!
Segundo o Cadastro Único do Governo Federal (CadÚnico), em 2022 eram 198 mil pessoas morando na rua. Hoje, quatro anos depois, são 392.389.
Homens de rua, quantas histórias, que vergonha, Brasil!!

* Carlos Roberto Schwartsmann – médico e professor universitário
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
Voltar Todas de Carlos Roberto Schwartsmann
Verificação de Email - você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!
Em albergues tem chuveiro quente, o q acontece é q nao da para se drogar, existem regras, dó de vadio nao tenho nao!
eu também tenho muita dó de todos os moradores de rua, abandonados pelo poder público. todos deveriam ser recolhidos, em instituições adequadas. como pode um governo achar “normal” pessoas viverem tão indignamente!!!
O Ser. Tão caridoso, já pensou se ninguém desse nada para essas pessoas, será que teria alguém nas ruas??? Somos nós que sustentamos essas pessoas nas ruas, e eles já acostumaram, e não querem sair, afinal tem comida! O resto dormem em qualquer lugar.
Vergonha e esses vagabundos, viciados em drogas, álcool e outros, pergunta se alguém desses, quer trabalhar?? Ninguém caiu do céu, pegue essa gente de banha, comida, roupa e se precisar de tratamento, é os outros pilantras compre uma passage e mande eles de onde vieram!
Pois é, e dizem por aí que 30 milhões saíram da pobreza , será que ainda existe mais 30 , não sei , mas algo de errado não está certo nesse Brasil .