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Armando Burd Falta formação para os que sonham com o poder

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Além de médico e ministro da Saúde, Adib Jatene tinha a visão de estadista. (Foto: Reprodução)

No ano em que 500 mil candidatos concorrerão a prefeituras e câmaras municipais, é preciso insistir: o despreparo de muitos eleitos se caracteriza por decisões precipitadas, que resultam em erros gritantes. Às vezes, são corrigidos por equívocos semelhantes ou piores. Não fica difícil imaginar quem paga a conta.

Mesmo assim, são tímidas as iniciativas para criar escolas de formação de gestores públicos.

Preparem a resposta

Prefeitos que pretendem se reeleger não poderão fugir a uma pergunta: quais os motivos que levaram o dinheiro dos impostos a se dissipar como cinzas ao vento?

Arrogância

Por falar em incompetência, completam-se hoje 30 anos de um anúncio que derrubou o país.

A 20 de janeiro de 1990, Zélia Cardoso de Mello, escolhida para ser ministra da Fazenda, declarou aos repórteres: “Não haverá tiro gradual. Vou disparar um tiro certeiro na inflação.”

Logo depois, pediu licença para fazer a refeição que tinha encomendado. Um assessor revelou o cardápio: ovos recheados com caviar, escalope de salmão e maçã ao vinho tinto.

Fiasco

A 16 de março de 1990, um dia após a posse de Collor, o Brasil conheceu o mais truculento e inútil pacote econômico da História. O confisco de depósitos bancários foi desastroso.

O que precisa mudar

Quando algumas lideranças empresariais admitem que forçarão a ideia de pacto no Estado, vale lembrar Adib Jatene, inesquecível médico e ministro da Saúde: “O pacto não é entre governo e sociedade. É entre nós, da sociedade, na qual o governo está incluído. Temos que cuidar do que não é do governo, porque é nosso.”

Cabe acrescentar que o Estado anda farto de soluções técnicas e de planos costurados no silêncio de gabinetes.

Cenário difícil

A crise em tópicos:

1) Apenas quatro estados não registraram déficit na previdência dos servidores públicos em 2019.

2) Desde 2000, o Rio Grande do Sul lidera a lista dos que têm os maiores rombos.

3) Avaliação do Ministério da Economia: mesmo após a aprovação da reforma da Previdência, o déficit dos estados no setor deverá começar a cair só na década de 2040.

Fotografia

Na gestão pública, o paternalismo exauriu-se, deixando uma dívida pesadíssima.

Resposta ao jeitinho

“O que a lei não proíbe, às vezes o pudor impede.”

A frase é de Sêneca, que viveu do ano 4 Antes de Cristo a 65 DC. Escritor, tornou-se conselheiro do império romano, mas seu ensinamento ainda não aportou no Brasil.

Questão obscura

Se administrações públicas não prestam serviços como contraprestação pelo pagamento de impostos é porque se preocupam com outras coisas.

Esperando a resposta

Quando surgirá um governante ou legislador com a coragem suficiente para discorrer sobre a dívida pública e o custo coberto com dinheiro de impostos?

Valorização inadequada

A maioria dos gestores públicos ainda não entendeu: o ensino é um dos instrumentos primordiais para a superação da injustiça social, da pobreza e dos problemas de desenvolvimento econômico.

Incentivar alunos a ingressarem e não abandonarem as salas de aula faz parte do be-a-bá do país.

Bateu forte

No lançamento de sua candidatura a vice-presidente da República pelo Movimento Trabalhista Renovador, em janeiro de 1960, o parlamentar gaúcho Fernando Ferrari justificou o lema da campanha:

“Mãos limpas é a consciência limpa. Muitos, de mãos perfumadas e lavadas com sabonete, não podem formar conosco, porque até o sabonete provém de dinheiro roubado.”

Só para quem quiser cair no conto

Fábulas a serem contadas nos programas de propaganda eleitoral estão na fase de elaboração. Haja imaginação…

 

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