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Brasil O novo diretor-geral da Polícia Federal foi empossado meia hora após Bolsonaro anunciar a sua nomeação

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Souza já foi policial agente da PF antes de se tornar delegado. (Foto: Divulgação/Dicom)

Anunciado na manhã desta segunda-feira (4) como novo diretor-geral da Polícia Federal, o gaúcho Rolando Alexandre de Souza, até então membro da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), assinou termo de posse cerca de 30 minutos depois de Jair Bolsonaro confirmar pelo Twitter a nomeação publicada em decreto no Diário Oficial da União.

Na última semana, Bolsonaro chegou a anunciar Alexandre Ramagem para o cargo. Porém, antes da cerimônia em que o novo diretor tomaria posse, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes barrou, liminarmente, a nomeação. A decisão provocou indignação do presidente, que chegou a dizer que insistiria na escolha. Nesta segunda, porém, ele confirmou Rolando, cuja indicação foi avalizada pelo próprio Ramagem, chefe da Abin.

Com o termo de posse já assinado, é incerto se haverá uma cerimônia oficial para a apresentação do nome que substituirá Mauricio Valeixo, exonerado por Bolsonaro há onze dias. A atitude gerou crise com Sérgio Moro, que pediu demissão do ministério da Justiça e Segurança Pública e fez várias acusações contra o presidente. As críticas viraram um inquérito aberto no STF.

Ao justificar a decisão de barrar a posse de Ramagem, Moraes lembrou que há um inquérito em curso para investigar as acusações de Moro contra Bolsonaro. Moraes chegou a mencionar a possível “irreparabilidade do dano” caso Ramagem assumisse a PF durante a apuração dos fatos relatados pelo ex-ministro.

A decisão gerou revolta de Bolsonaro, que o atacou o ministro do STF dizendo que não havia engolido o veto. No domingo (3), durante manifestação a seu favor e contra o STF e o Congresso, o presidente disse, sem citar ao que se referia, que não admitiria mais interferência em seu governo.

Souza já foi policial agente da PF antes de se tornar delegado. Foi corregedor da unidade da PF em Rondônia e chefe da unidade de Alagoas.

Reportagem do UOL mostrou que a aposta sobre ele havia crescido entre policiais, porque, com Ramagem impedido de assumir pela Justiça, só restaria um mandato-tampão. E, para assumir essa tarefa, a função só seria aceita por Souza, que já trabalha com Ramagem.

Outro fator que fez crescer seu nome foi o histórico na corporação. Apesar de não estar entre os mais experientes na casa, foi ele quem “desenrolou” o banco de dados Atlas, que reúne informações estratégicas para facilitar investigações da PF, narrou um amigo.

Segundo um delegado e um perito, o delegado é muito proativo e poderia fazer uma boa gestão, mesmo porque já chefiou a unidade regional de Alagoas.

Além disso, Souza liderou o setor de repressão a desvios de dinheiro público na sede da PF em Brasília. Isso o tornou conhecido de todos, o que desperta confiança, avalia um amigo. E também pacificaria a polícia, num momento de tensão e desconfiança de que Bolsonaro age para interferir em investigações e obter informações estratégicas indevidamente, como denunciou o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro à própria polícia.

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