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Brasil Ex-superintendente da Polícia Federal no Rio afirmou que deixou o cargo porque “houve pedido” para sua saída

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Investigações referem-se a desvios em contratos na área da saúde envolvendo organizações sociais. (Foto: Divulgação/PF)

O ex-superintendente da PF (Polícia Federal) no Rio, Ricardo Saadi, afirmou em depoimento prestado na segunda-feira (11) que sua saída do cargo em agosto do ano passado ocorreu de forma antecipada ao período inicialmente previsto e disse que foi informado que “teria havido um pedido de troca de superintendente”.

O depoimento de Saadi foi prestado no inquérito que apura interferências indevidas do presidente Jair Bolsonaro na PF. Saadi deixou o cargo de superintendente em agosto do ano passado após declarações públicas de Bolsonaro pedindo a troca do comando da PF no Rio. Na ocasião, Bolsonaro tentou indicar um nome para o cargo, o delegado Alexandre Saraiva, mas a PF barrou esse nome e escolheu outro delegado, Carlos Henrique Oliveira.

A Superintendência da PF do Rio está no centro da investigação. Ao pedir demissão, o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro acusou Bolsonaro de tentar interferir politicamente na PF.

Em seu depoimento, Saadi afirmou que recebeu um telefonema do então diretor-geral da PF Maurício Valeixo lhe afirmando que “havia resolvido adiantar os planos de troca da Superintendência do Rio de Janeiro”. Segundo o delegado, momentos depois ele leu notícias com declarações de Bolsonaro de que haveria a troca do superintendente do Rio.

Segundo Saadi, Valeixo lhe informou “que teria havido um pedido de troca de superintendente” e que concordou com o pedido, afirmando que o delegado já queria deixar o cargo no Rio. Saadi afirma que a troca não se deveu a uma “insuficiência” em seu desempenho à frente da Superintendência e que não foram apresentados os motivos exatos para sua saída.

Na época da exoneração, Bolsonaro disse que a troca havia sido efetuada por motivos de “produtividade”. Ao se demitir do governo, no mês passado, Moro apontou que Bolsonaro fez pressão para tirar Saad da superintendência do Rio.

Saadi foi perguntado se sabia por que foi demitido. “Que, questionado especificamente sobre as razões de sua exoneração, afirma desconhecê-las”, respondeu Saadi.

Ele afirmou ainda que, durante o seu período à frente da superintendência da PF no Rio, nunca recebeu, de maneira direta ou indireta, pedidos de “relatórios de inteligência” do presidente Jair Bolsonaro ou do ex-ministro Sérgio Moro.

Ramagem

Outro depoimento de segunda foi o do delegado da PF e diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem. Ele foi escolhido por Bolsonaro para substituir Valeixo na direção-geral da PF, mas teve a nomeação barrada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Moraes afirmou que a nomeação tem desvio de finalidade e apontou que Ramagem é amigo do presidente e de seus filhos.

No depoimento à PF, Ramagem disse que tem o “apreço” da família do presidente Jair Bolsonaro, mas negou ter “intimidade”.

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