Domingo, 14 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 24 de maio de 2020
O ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, participou neste domingo (24) de uma manifestação em Brasília em apoio ao governo de Jair Bolsonaro, contrariando recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), de autoridades sanitárias e decreto do governo do Distrito Federal.
Pazuello está no comando da pasta desde que Nelson Teich deixou o cargo, em 15 de maio.
Na última quarta-feira (20), Bolsonaro disse que Pazuello fica por “muito tempo” no Ministério da Saúde. Porém, na sexta (22), o ministro da Casa Civil, Braga Netto, disse que o general Eduardo Pazuello está no cargo de ministro da Saúde “por tempo determinado”, com o objetivo de “acertar” a logística da pasta.
O ato deste domingo provocou aglomeração, e muitas pessoas estavam sem máscara, contrariando as orientações das autoridades de saúde em meio à pandemia do novo coronavírus. Pazuello estava de máscara.
Decreto do governo do Distrito Federal estabelece que pessoa física que desrespeitar as regras de isolamento social pode ser advertida, sofrer multa e ser enquadrada no crime de infração de medida sanitária preventiva.
Há outro decreto do governo local que prevê multa de R$ 2 mil para quem descumprir a regra de uso de máscara em locais públicos. Em caso de reincidência, conforme o decreto, o valor passa a R$ 4 mil.
“Muito tempo”
O presidente Jair Bolsonaro afirmou que o general Eduardo Pazuello, que responde de forma interina pelo Ministério da Saúde, ficará “por muito tempo” à frente da pasta.
Ainda de acordo com o presidente, o general, que não tem formação na área de saúde, vai ser auxiliado no ministério por uma “equipe boa” de médicos.
Bolsonaro deu a declaração ao conversar com profissionais de limpeza urbana que trabalhavam em um trevo próximo ao Palácio da Alvorada, em Brasília.
General da ativa do Exército, Pazuello foi nomeado secretário-executivo do ministério – segundo cargo na hierarquia da pasta – e está como ministro de forma interina desde a semana passada, quando Nelson Teich pediu demissão.
“Ele [Pazuello] vai ficar por muito tempo, esse que está lá. Não vai mudar não. Ele é um bom gestor, vai ter uma equipe boa de médicos abaixo dele”.
Pazuello foi escolhido número 2 da Saúde por sua experiência em logística, já que comandou a “Operação Acolhida”, que recebe em Roraima os venezuelanos que entram no Brasil.
Com Pazuello à frente da pasta, o Ministério da Saúde divulgouo protocolo que libera no SUS o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina até para casos leves de Covid-19. Até então, o protocolo previa os remédios para casos graves.
O documento do governo afirma que não há garantia de cura e que o medicamento pode até levar à morte; nenhuma autoridade assina protocolo.
A chegada de Pazuello ao ministério também marcou uma militarização da pasta.
Os comentários estão desativados.