Segunda-feira, 28 de setembro de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Edson Bündchen As palavras importam!

Compartilhe esta notícia:

Em tempos de debates acalorados na mídia e de aguda polarização política, com trocas de ofensas e uso de linguagem inadequada, sempre é bom refletir sobre a melhor forma de produzirmos diálogos autênticos e enriquecedores, bem como buscar compreender o fenômeno, para que prevaleça a empatia e uma visão mais generosa sobre o outro, condições essenciais para um diálogo construtivo.

Esse tema adquire maior relevância a partir das discussões entre liberdade de expressão e as chamadas “fake news”, muitas delas eivadas de preconceito, inverdades e uso frequente de termos agressivos. É necessário moderar e humanizar os diálogos, mas como, se na gênese do problema encontramos sementes crescentes de intolerância?

O professor Mário Sérgio Cortella, provoca-nos com a seguinte pergunta: “você é capaz de corrigir sem ofender e orientar sem humilhar”? Esse oportuno alerta para a prudência, para maior amorosidade na forma como tratamos o outro, é muito mais do que apenas se pressupõe, pois também invoca a reflexão para uma questão de caráter. O que é uma pessoa honrada? Aquela que, entre outras coisas, tem a percepção da piedade, da comiseração e da empatia, em outros termos, aquilo que precisa ser resguardado na convivência. A autenticidade não pode ser justificativa para uma língua ferina ou irresponsável. Eu não devo, assim, em nome da minha autenticidade, dizer tudo o que penso. Eu não devo, em nome da minha autenticidade, desqualificar alguém apenas porque quero ser transparente, embora possa querer ou poder assim agir. Domar a besta que existe em nós, antes de ser função do Estado, deve ser fruto de autorreflexão.

A meu ver, na raiz de toda a comunicação raivosa e mal elaborada, na qual, com a asséptica distância das mídias sociais, o emissor destila seu ódio e frustrações num receptor muitas vezes indefeso, encontram-se seres humanos desprovidos de conhecimento, vítimas de sua própria ignorância e do seu condicionamento psicossocial. Nesse terreno, a intolerância não encontra freios e a comunicação deixa de ser um processo interativo para perecer na visão autocentrada do emissor. Trava-se, dessa forma, um diálogo de surdos.

O que estaria, ainda, por trás de um boquirroto grosseiro e inconveniente? Ao explorar a caverna de Platão, numa alusão às prisões psíquicas representadas por certas formas de comportamento, é possível compreender alguns porquês do uso de linguagem tosca, chula ou inadequada por parte de cidadãos, políticos ou gestores com influência social. A agressividade verbal, além da origem cultural e cognitiva, tem também um fundo psicológico, e essa condição a priori, influencia e formata a intensidade, a modulação e o conteúdo da fala. Há, de todo modo, uma mensagem subliminar na intencionalidade para além do que é dito, transformando as palavras em antessalas dos atos. Por isso é tão importante observar, valorizar e estudar os discursos. Eles falam muito sobre nós.

O contraponto ao discurso mal dito, mal falado ou insuficiente, por outro lado, é a palavra bem colocada, a ênfase naquilo que é relevante, a sensibilidade no tom, na adequação e no sentido de cada uma das palavras proferidas. Assim como existe sempre uma palavra para cada momento, existem também imensas possibilidades para que as mensagens não resvalem para o discurso ofensivo a partir de um reposicionamento pessoal. Reconhecer-se como ator de sua própria narrativa, incorporando elementos técnicos e emocionais a um discurso mais humanizado, não apenas projeta diálogos mais fecundos, como especialmente denota uma indispensável e urgente maior sensibilidade ao próximo. Num futuro que se prenuncia mais colaborativo e integrado, isso pode fazer toda a diferença.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Edson Bündchen

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Os brasileiros que estudam nos Estados Unidos não acreditam na ameaça de suspensão dos vistos sugerida pelo governo de Donald Trump
Notícias da TV
Pode te interessar