Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 27 de julho de 2020
O governo da Alemanha decidiu testar viajantes que retornarem ao país após visitas a regiões consideradas de alto risco de contágio do novo coronavírus. A medida é uma tentativa de evitar a adoção de novas quarentenas após o
desembarque.
Os exames serão feitos nos aeroportos. Passageiros que vindos de outras áreas também serão testados gratuitamente, mas não imediatamente após desembarcarem, segundo as autoridades alemãs. Eles terão 72 horas para realizar os testes, de forma voluntária, em hospitais do país.
“Aqueles que retornarem de países com risco deverão ser testados. Os que vierem de países sem risco também terão essa opção”, disse a secretária de Saúde de Berlim, Dilek Kalayci, após uma reunião com o ministro da Saúde, Jens Spahn, e autoridades da área dos demais Estados alemães.
Em meio ao verão europeu, a medida visa impedir que alemães que viajaram ao exterior durante as férias o tragam o vírus de volta para casa. Outros países, como França, Itália e Noruega, anunciaram hoje restrições a viajantes de países vizinhos, caso da Espanha, um dos principais destinos turísticos do bloco, que enfrenta uma recente alta nas infecções por Covid-19.
Na Alemanha, viajantes que retornarem de áreas de risco que se recusarem a realizar os exames ou testarem positivo para a doença serão obrigados a ficar em casa por 14 dias.
Atualmente, o Instituto Robert Koch, a agência federal de saúde, considera 130 países como “zonas vermelhas”. As exceções são os membros da União Europeia (UE) e outros integrantes da Zona Schengen, de área de livre circulação dentro das fronteiras do bloco.
Espanha
O número de mortos na Espanha por Covid-19 pode ser quase 60% maior que o número oficial de 28.432, de acordo com uma investigação do jornal “El Pais”.
O número oficial de mortes no país inclui apenas pessoas que foram formalmente diagnosticadas com o novo coronavírus, e não casos suspeitos que nunca foram testados.
A falta de testes generalizados, particularmente nos estágios iniciais do surto, significa que a contagem oficial pode subestimar o número de contaminados pelo coronavírus, como acontece em muitos outros países.
Contando estatísticas regionais de todas as mortes suspeitas e confirmadas pelo vírus, o jornal “El Pais” alcançou um total de 44.868 mortes. Se os números estiverem corretos, isso tornaria o surto da Espanha o segundo mais mortífero da Europa, depois do britânico.
O Ministério da Saúde da Espanha não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
A cifra de “El Pais” está alinhada com as do Centro Nacional de Epidemiologia e do Centro Nacional de Estatística (INE), que registram excesso de mortalidade comparando as mortes em todo o país com as médias históricas.
Em junho, o INE registrou 43.945 mortes a mais nas primeiras 21 semanas de 2020 do que no mesmo período de 2019, embora não seja possível dizer quantas podem ser atribuídas à pandemia.
Exigência de quarentena
Os passageiros que chegam da Espanha no Reino Unido terão que ficar confinados por duas semanas, depois que o governo britânico anunciou sua retirada da lista de países isentos devido ao aumento na disseminação do novo coronavírus.
Desde o último domingo (19), as pessoas que estão de férias na Espanha são incentivadas a respeitar as regras locais, voltar para casa conforme planejado e se ficar confinado voluntariamente.
“O Centro Inglês de Biossegurança e Saúde Pública atualizou a situação da Espanha com base nos dados mais recentes”, disse um porta-voz do governo britânico.
“Como resultado, a Espanha foi removida da lista de países dos quais os passageiros que chegam estão isentos da necessidade de se confinarem na chegada à Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte”, acrescentou.
O governo recomenda não viajar, exceto por necessidade essencial, para a Espanha continental, mas a recomendação não se aplica às Ilhas Canárias ou Baleares.
Um mês após a Espanha emergir de um longo estado de emergência, novas infecções começaram a surgir e as autoridades de saúde apontam a reativação da vida noturna como uma das causas da propagação do vírus.
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