Quinta-feira, 09 de Julho de 2020

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Brasil A caderneta de poupança bate recorde de depósitos em meio à crise. Saiba se vale a pena

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Aplicar em Caderneta de Poupança não requer nenhum conhecimento prévio de investimento. (Foto: Reprodução)

Em meio às incertezas na economia provocadas pelo avanço da pandemia do novo coronavírus, os brasileiros nunca depositaram tanto dinheiro na caderneta de poupança. Em abril, a captação de recursos (o saldo entre depósitos e saques) foi positivo em R$ 30 bilhões, segundo o Banco Central.

É, disparado, o melhor resultado dessa aplicação desde 1995. No mesmo período do ano passado, os brasileiros retiraram R$ 2,8 bilhões das cadernetas em meio à euforia com a valorização das ações na Bolsa de São Paulo (B3).

A captação recorde em abril compensou a retirada de recursos da poupança em janeiro e fevereiro e, por isso, o saldo parcial de 2020 está positivo em R$ 26 bilhões. É o dobro do captado em todo o ano passado e pouco mais de 30% do recorde histórico de 2013, quando os brasileiros depositaram R$ 71 bilhões em cadernetas de poupança.

O pagamento do auxílio emergencial de R$ 600 a trabalhadores informais pelo governo a autônomos que ficaram sem renda por causa da pandemia influenciou no resultado. Boa parte dos recursos foi transferida pelo governo por meio de contas poupança digitais criadas pela Caixa Econômica Federal para brasileiros até então desbancarizados.

Mas analistas apontam que o crescimento da caderneta também é movido pela busca de mais segurança por muitos investidores, inclusive os de fundos de bancos pequenos que migraram recursos para a poupança por temor de que essas instituições sofram dificuldades financeiras com a crise gerada pela pandemia.

“Há investimentos de baixo risco melhores que a poupança, como fundos DI com taxas baixas de administração e CDBs com liquidez diária que pagam 100% do CDI ou mesmo os títulos do Tesouro”, diz a especialista em investimentos Luciana Ikedo.

O que explica tanto interesse por uma aplicação que deve render pouco mais de 2% neste ano, que nem compensa a perda com a inflação? Para Vera Rita de Mello Ferreira, doutora em psicologia econômica e professora no Vértice PSI – Instituto de Psicologia Econômica e Ciências Comportamentais, os brasileiros estão em busca de um “porto seguro” num cenário de crises em profusão: sanitária, econômica e política.

A busca por segurança motivou a autônoma paulistana Amanda dos Reis, de 30 anos, a aportar 20% de sua renda mensal de R$ 6 mil numa poupança desde março. Nos últimos meses, Amanda engravidou e seu marido perdeu o emprego. Agora, trabalhando de casa prestando consultoria a agências de publicidade, ela quer juntar recursos para os tempos difíceis, com a vantagem de poder sacar a qualquer momento: “A ideia é não passar necessidade se eu perder renda”.

Boa parte da captação da poupança vem de gastos com bens e serviços que não foram feitos durante a pandemia. Moradora de Santos, no litoral paulista, a funcionária pública Cinthia Gomes, de 34 anos, está economizando 20% da renda mensal, algo como R$ 1,2 mil, desde março, quando começou o isolamento dos que podem ficar em casa.

Em quarentena, deixou de gastar com gasolina para se deslocar de carro ao trabalho, além de saídas para almoçar fora ou comprar roupas. Além disso, Cinthia conseguiu desconto de 30% na mensalidade da escola dos filhos, que agora estudam pela internet. Nos planos de Cinthia está juntar dinheiro para diversificar investimentos após a crise.

Os bancos já sentem os efeitos do interesse renovado dos brasileiros pela poupança. No Neon, os depósitos crescem 30% ao mês desde o início da pandemia, um interesse atípico nesse tipo de aplicação.

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