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Mundo A candidatura de Evo Morales ao Senado na Bolívia é impugnada

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O ex-presidente, de 60 anos, não pode concorrer à presidência nessas eleições, por disposição legal. (Foto: ABI/Fotos Públicas)

O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales não poderá ser candidato a senador nas eleições de maio, como pretendia. As informações foram dadas por integrantes do partido Movimento ao Socialismo (MAS) ao jornal boliviano El Deber.

Segundo o diário local, após um prolongado debate até meia noite, o Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) da Bolívia decidiu impedir a candidatura de Evo Morales como senador por Cochabamba e de seu último chanceler, Diego Pary, por Potosí.

Evo havia anunciado no final de janeiro que voltaria à Bolívia como senador. Ele renunciou à presidência em 10 de novembro e está refugiado na Argentina.

O ex-presidente, de 60 anos, não pode concorrer à presidência nessas eleições, por disposição legal. Por sua vez, o candidato do MAS à presidência, Luis Arce, foi habilitado. Oito candidatos disputarão o cargo nessas eleições, incluindo a presidente interina, Jeanine Áñez, e outros rivais do ex-presidente. Nas eleições de maio, serão escolhidos o presidente, vice-presidente, 36 senadores e 120 deputados.

Refúgio na Argentina

Morales deixou a Bolívia em novembro do ano passado depois de anunciar sua renúncia, denunciando um golpe de Estado para derrubá-lo em meio a pressões dos militares e da polícia, entre outros, para pedir asilo primeiro no México e depois em dezembro, na Argentina.

Arce também viajou para o asilo do México em dezembro e depois para a Argentina, de onde retornou à Bolívia no mês passado. O MAS anunciou nas redes sociais uma reunião de emergência para hoje “em defesa dos candidatos”, denunciando que o tribunal eleitoral “está agindo politicamente em benefício do atual governo, atrasando a autorização de três dos candidatos do partido”. O outro candidato mencionado na mensagem é o ex-ministro das Relações Exteriores, Diego Pary, que concorre ao senado pela região andina de Potosí.

História

Evo Morales nasceu em 26 de outubro de 1959, na cidade de Orinoca, no departamento de Oruro. Ele pertence à etnia indígena uru-aimará. Evo Foi o primeiro indígena a ser eleito presidente na Bolívia e o terceiro que não precisou passar pelo segundo turno.

Os pais de Evo Morales se mudaram para a cidade de Chapare e ali trabalhavam como agricultores. Dos sete filhos, apenas três chegaram à vida adulta. Desde cedo, Evo Morales ajudou os pais na lavoura indo à escola de forma irregular.

Em 1981 foi nomeado Secretário de Esportes no sindicato de cocaleros da região. Dessa forma, iniciou sua carreira política na qual seria eleito deputado em 1997 e candidato à presidência da República em 2002. Nesta ocasião, ele ficou em segundo lugar e perderia para Sánchez de Lozada.

Evo Morales concorreu às eleições presidenciais pelo partido MAS – Movimento al Socialismo – e apoiado fortemente pela população indígena que representa 51% da população boliviana.

Vitorioso, Morales se aproximou dos outros governos de esquerda, especialmente do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Igualmente, buscou apoio em Rafael Correa, Equador; Nestor Kirchner, Argentina; Fidel Castro, em Cuba; e Lula da Silva, Brasil.

Desta maneira, alguns países da América Latina se uniram na “Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América” – ALBA – que compreendia onze países do continente. Dita Aliança deseja ser uma alternativa de esquerda aos organismos tradicionais existentes na região.

A retórica de Evo Morales se pautou por discursos contra o capitalismo e extremamente antiamericano. Renegociou o contrato com as empresas multinacionais exploradoras de hidrocarburantes e expulsou o embaixador americano da Bolívia em 2008, acusando-o de conspirar contra a democracia boliviana.

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