Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 2 de abril de 2020
A taxa de hospitalização de jovens adultos com a Covid-19 tem sido surpreendentemente alta em Nova York (Estados Unidos), segundo médicos e outros profissionais de saúde da cidade, o que enfraquece as suposições anteriores sobre quem corre mais risco de pegar o novo coronavírus.
Nova York tem mais casos confirmados do coronavírus do que qualquer outro lugar nos EUA e de cada cinco internações, uma é de alguém com menos de 44 anos, segundo dados do Departamento de Saúde da cidade.
Em nível mundial, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre os doentes com menos de 50 anos, a taxa de casos moderados ou graves é de 10% a 15%.
Na sexta-feira (27), no Hospital Mount Sinai Morningside de Manhattan, um paciente de 32 anos procurou o médico Kaedrea Jackson e perguntou: “Eu vou morrer?” O jovem, que não tinha nenhum relato de problemas de saúde preexistentes, estava com falta de ar e febre e seus níveis de oxigênio caíam rapidamente. Ele estivera no pronto-socorro do hospital quatro dias antes, mas fora instruído a voltar para casa, beber água, tomar Tylenol e se manter isolado.
Agora ele estava de volta e sua condição de saúde se deteriorava. “São muitos os pacientes que não se encaixam nos relatos que temos da China ou da Itália. Não se trata só de pacientes idosos, mas de qualquer um”, disse Jackson, que estima que 20% dos casos confirmados no hospital são de pessoas com menos de 50 anos.
Durante meses, a mensagem oficial era de que os mais velhos corriam o maior risco. Era uma convicção tão forte que funcionários da área de saúde começaram a repreender pessoas entre 20 e 30 anos e mandar que ficassem em casa, para evitar transmitir a doença para as populações mais velhas.
Isso mudou em março, quando um importante funcionário de saúde da Casa Branca alertou que jovens na Itália e na França começavam a ficar doentes. Agora, essa tendência apareceu nos EUA.
“São pessoas jovens, sem problemas de saúde preexistentes”, disse Eric Wei, médico de pronto-socorro e diretor de qualidade do NYC Health + Hospitals, o sistema público de hospitais da cidade. “Eles parecem estar com gripe. Mas em poucas horas eles precisam de oxigênio. E em mais algumas horas, precisam de um ventilador.”
Respiradores
Andrew Cuomo, governador de Nova York nos Estados Unidos, disse que, caso o avanço do novo coronavírus continue no ritmo que está, os respiradores para atender os pacientes com a Covid-19 vão acabar dentro de seis dias.
A declaração foi dada pelo governador em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (2). Cuomo ressaltou ainda que até o momento, Nova York tem 2.200 respiradores disponíveis. No entanto, cerca de 350 novos pacientes por dia precisam do aparelho.
“Se o pico for alcançado antes desse período [de 6 dias], se o pico aumentar, ou for alterado, teremos um problema com os respiradores”, disse o governador.
“Se a pessoa chegar, precisar de um respirador e você não tiver um, essa pessoa morre”, destacou o governador.
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